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Adormecimento

A crise persiste, mais silenciosa nos meios de comunicação social, sobretudo de alguns países europeus, mas ensurdecedora nas vidas da maior parte dos cidadãos.
A crise permanece, apesar de políticos e outros jurarem a pés juntos que a Europa conseguiu resolver a sua crise e que o pior já passou. Os negócios, em especial os grandes negócios, continuam a seguir o seu rumo e, em bom rigor, nunca foram tão apetecíveis, sobretudo desde que contam com anuência dos cidadãos que comem (pagam) e calam e desde que contam com políticos "facilitadores de negócios" mais interessados nesses negócios do que nos interesses dos cidadãos. Assim como pouco interessa saber mais sobre o verdadeiro estado da banca europeia e, tal como no passado, voltamos a fechar os olhos aos problemas que estão à nossa frente.
Tudo está bem por enquanto, e por enquanto é tudo quanto precisamos.
Os, esses, cidadãos permanecem numa espécie de adormecimento colectivo, sofrendo em silêncio, convencidos que as alternativas se esgotaram. No próximo mês há eleições europeias. Sim, e depois? O descrédito da classe política atinge níveis assustadores. A ideia de que são todos iguais vinga de forma transversal. Permanece a ideia de que a maior parte dos políticos trabalha para o mesmo patrão e os que escapam a esse rótulo são considerados radicais, diz a comunicação social, incumbida de espalhar um medo incapacitante.
O adormecimento descreve na perfeição os tempos que vivemos. Não esqueçamos, porém, que depois do adormecimento vem amiúde o sobressalto.

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