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Espírito democrático

Espírito democrático, há quem o tenha e quem nem tão-pouco sonhe com a sua existência. Ontem, no debate quinzenal na Assembleia da República, o primeiro-ministro recusou responder a questões colocadas pela oposição. Segundo Passos Coelho, tendo em consideração que a sua palavra tem pouco valor, é escusado responder às questões colocadas pelos partidos da oposição.
Alguns deputados da oposição acusaram Passos Coelho de faltar à verdade. Com efeito, os cortes em pensões e salários - alegadamente temporários - são agora definitivos. O primeiro-ministro reagiu, alheio ao espírito democrático que, aliás, desconhece por completo, resusando responder às questões. Assim, também ficámos sem saber que austeridade é que ainda aí vem.
Ora, para além do espectáculo em pleno parlamento não se ter pautado pela sobriedade, o primeiro-ministro mostrou não saber viver em democracia. O Governo tem de responder à Assembleia da República. O desprezo que o primeiro-ministro mostrou por este órgão é inquietante.
Até se aceitaria que Passos Coelho reagisse de forma veemente às acusações da oposição, mas não se pode aceitar o desprezo que o primeiro-ministro manifestou por vários representantes do povo português.
Já se sabia que o espírito democrático não é particularmente caro aos membros deste governo, mas ontem ficou patente a total ausência desse espírito.

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