Avançar para o conteúdo principal

O Inferno parte II

Não sendo propriamente inesperada, a notícia que dá conta da recandidatura de Passos Coelho vem relembrar que o Inferno pode não ter fim.
Não é fácil escrever as seguintes palavras: Pedro Passos Coelho recandidata-se à liderança do PSD e a primeiro-ministro.
Haverá seguramente um conjunto de razões que explicam essa decisão de Passos Coelho e talvez a que se destaque se prenda com o facto do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo primeiro-ministro não estar concluído. Já aqui se disse que ainda há um caminho a percorrer em matéria de desvalorização salarial, transição de serviços do Estado para o sector privado, desinvestimento no Estado Social e consequente enfraquecimento e, claro está, a existência de sectores que poderão ser vendidos, criando novas oportunidades para a casta nacional e internacional.
Quanto ao sucesso desta recandidatura, ainda será cedo para arriscar palpites.
De qualquer modo, o primeiro-ministro aposta nesta recandidatura ou porque é incapaz de ver a realidade, ou porque conta com uma amnésia colectiva dos cidadãos, ou ainda porque considera que a propaganda em torno dos pretensos sucessos do seu Governo (crescimento económico, descida da taxa de desemprego, saída da troika e regresso aos mercados) lhe vai granjear nova vitória.
Seja como for, o Inferno ameaça uma segunda parte.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Fim do sigilo bancário

Tudo indica que o sigilo bancário vai ter um fim. O Partido Socialista e o Bloco de Esquerda chegaram a um entendimento sobre a matéria em causa - o Bloco de Esquerda faz a proposta e o PS dá a sua aprovação para o levantamento do sigilo bancário. A iniciativa é louvável e coaduna-se com aquilo que o Bloco de Esquerda tem vindo a propor com o objectivo de se agilizar os mecanismos para um combate eficaz ao crime económico e ao crime de evasão fiscal. Este entendimento entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista também serve na perfeição os intentos do partido do Governo. Assim, o PS mostra a sua determinação no combate à corrupção e ao crime económico e, por outro lado, aproxima-se novamente do Bloco de Esquerda. Com efeito, a medida, apesar de ser tardia, é amplamente aplaudida e é vista como um passo certo no combate à corrupção, em particular quando a actualidade é fortemente marcada por suspeições e por casos de corrupção. De igual forma, as perspectivas do PS conseguir uma ma...

Mais uma indecência a somar-se a tantas outras

 O New York Times revelou (parte) o que Donald Trump havia escondido: o seu registo fiscal. E as revelações apenas surpreendem pelas quantias irrisórias de impostos que Trump pagou e os anos, longos anos, em que não pagou um dólar que fosse. Recorde-se que todos os presidentes americanos haviam revelado as suas declarações, apenas Trump tudo fizera para as manter sem segredo. Agora percebe-se porquê. Em 2016, ano da sua eleição, o ainda Presidente americano pagou 750 dólares em impostos, depois de declarar um manancial de prejuízos, estratégia adoptada nos tais dez anos, em quinze, em que nem sequer pagou impostos.  Ora, o homem que sempre se vangloriou do seu sucesso como empresário das duas, uma: ou não teve qualquer espécie de sucesso, apesar do estilo de vida luxuoso; ou simplesmente esta foi mais uma mentira indecente, ou um conjunto de mentiras indecentes. Seja como for, cai mais uma mancha na presidência de Donald Trump que, mesmo somando indecências atrás de indecência...