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O caminho da Europa

Os últimos anos da União Europeia foram indelevelmente marcados pela crise, primeiro do sector financeiro, depois das dívidas soberanas e pela subsequente resposta pejada de incertezas e de erros.
Os responsáveis europeus vêem sinais de recuperação e insistem numa receita que produziu milhões de desempregados, retrocesso social e desespero em muitos cidadãos europeus. A receita é dolorosa, mas única, dizem-nos até à exaustão.
É evidente que a receita tem tem ingredientes diferentes, consoante os países. A crise da dívida soberana portuguesa está longe de ser tratatada como a crise soberana de países como Itália ou Holanda.
Quem se prepara para trilhar o caminho da Europa é a extrema-direita. A extrema-direita cresce em países como França (segundo as últimas sondagens, Marine Le Pen pode bem conquistar as eleições europeias), Holanda e até Inglaterra, já para não falar do preocupante caso grego ou de casos como o austríaco ou italiano.
O populismo vai fazendo o seu caminho perante a descredibilização dos partidos mais tradicionais, dando lugar a uma situação que faz lembrar os anátemas que assolaram a europa no passado.
O sucesso da demagogia de extrema-direita não é de todo indissociável do falhanço da europa. A Europa conhece assim um retrocesso social, mas também civilizacional que há escassos anos parecia simplesmente impossível. Não esqueçamos que Maio é mês de eleições europeias que acabará por reflectir sentimentos negativos resultado das políticas desastrosas adoptadas nos últimos anos. Pelo caminho a esquerda não se afirma, excepção será o Syriza na Grécia.

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