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Sinais de esperança

É sobejamente conhecida a falta de apetência do actual Governo na manuteção da esperança. É sobejamente conhecida a propensão do Governo para aniquilar essa esperança. Todavia, e apesar das elevadas doses de inépcia que caracterizam o Executivo, também não é novidade que sem se manter mínimos de esperança a governação pode transformar-se numa impossibilidade.
Deste modo, somam-se as tentativas de restaurar essa esperança no futuro. A economia está a sair da recessão, os números do desemprego não são tão maus como se esperava, a troika tem data marcada para nos deixar em paz. Neste último particular, há até quem fale na festa que se seguirá.
Sabe-se no entanto que o parece não é e, sobretudo, que o que nos dizem, com acentuada persistência, não corresponde à realidade. Os números que apontam para um crescimento da economia portuguesa merecem uma análise mais cuidada, sobretudo em correlação com períodos análogos; os números do desemprego merecem a mesma análise, contabilizando também as saídas de trabalhadores do país, os inativos, etc; a troika sairá do país, dizem eles, em meados do próximo ano. Porém, haverá, durante anos, ingerência externa com o aval absoluto de quem está à frente dos destinos do país, já para não falar da forma como a troika sairá do país, com ou sem programas cautelares.
De resto, as pressões internas, em particular no PSD, exigem uma atenção maior da direcção do partido e, consequentemente, do próprio Passos Coelho. Rui Rio diz que não, mas outros no partido insistem que sim. Passos Coelho não caiu nas graças dos portugueses, nem tão-pouco nas graças do seu próprio partido. Para tal, é fundamental restaurar a esperança. As vozes internas que contestam as políticas preconizadas pelo Executivo de Passos Coelho avolumam-se.
Passos Coelho quer permanecer na liderança do partido e à frente dos destinos do país, até porque o que seria de Passos Coelho sem estes cargos? Já estará destinado às piores páginas da História do país; resta-lhe o presente e o futuro mais imediato.

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