quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Endividamento


Uma das consequências do "plano de ajustamento" que na realidade mais não é do que um plano de empobrecimento é o aumento dos níveis de endividamento.
Paradoxalmente, um dos objectivos do plano de "assistência" ou de "ajustamento" era precisamente reduzir o nível de endividamento, sobretudo do Estado. No entanto, a dívida do Estado Português não cessa de aumentar para níveis verdadeiramente insustentáveis.
O endividamento das famílias e das empresas é outro problema com que o país se depara e que tem consequências no imediato e no futuro.
No caso das empresas, a contracção do mercado interno têm consequências claras na capacidade das empresas também em matéria de crédito. As insolvências são muitas e muitas outras empresas encontram-se em risco de fechar as portas.
No caso das famílias, os níveis de endividamento não serão tão elevados quando por vezes se insinua (muitas famílias portuguesas não têm qualquer crédito), mas ainda assim e, sobretudo no que diz respeito ao crédito à habitação, as dificuldades são acrescidas. Neste particular, recorde-se que a estratégia adoptada na última década apenas beneficiou as construtoras e o sector financeiro. O mercado de arrendamento continua, apesar das reformas, pouco competitivo. 
Hoje a encara-se o endividamento numa vertente fortemente moralista, esquecendo-se porém que o credor ganha através de juros com o empréstimo e que esse empréstimo acarreta, por isso, riscos. É um negócio e, tal como todos os negócios, há um risco envolvido. O moralismo de trazer por casa que recai sobre quem é devedor - até mesmo sobre o Estado - tem-se tornado recorrente.
Por outro lado, assinale-se que se aborda, com particular frequência, a questão da dívida pública e o mesmo não acontece com a dívida privada que permanece pouco discutida.
O endividamento é uma das consequências do plano de ajustamento imposto (até que ponto ainda estamos por saber) e idolatrado por quem nos governa. A parte irónica da história é que um dos principais objectivos desse plano de ajustamento - a redução do peso da dívida na economia portuguesa - continua por ser alcançado e mais: a dívida, teimosamente, não cessa de aumentar. E hoje regressa a troika.

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