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Trabalhar um ano... sem comer

A frase brilhante é de Nuno Crato, o mesmo que anda a desmantelar a escola pública, ao mesmo tempo que alimenta generosamente os negócios do privado.
O ministro da Educação procurou dar uma aula de economia. Uma frase a retirar dessa memorável aula de economia é: "os portugueses teriam de trabalhar mais de um ano sem comer e sem utilizar transportes só para pagar dívida".
Para início de conversa seria interessante averiguar de que dívida é que Crato fala. Quem a contraiu? Em nome de quem? Que contratos lhe subjazem? A dívida cujo pagamento exige o desrespeito pela Carta das Nações Unidas? Trata-se efectivamente de uma dívida legítima? Não sabemos, nem vamos saber, mas o ministro da Educação - o que altera programas de disciplinas sem dar cavaco, o que engorda negócios chorudos no privado - anda com ela na boca.
Crato antes de vir mandar postas de pescada repletas de demagogia, deveria, primeiro, ter a decência de dizer aos portugueses de que dívida é que se trata. Sim, porque qualquer auditoria à dívida (auditoria independente e idónea) está fora de questão.
"Trabalhar um ano... sem comer" é o resultado da passividade de um país que aceita tudo sem reflectir, sem questionar, sem reagir, sem agir.

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