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Sucesso

A semana foi pródiga em alegadas boas notícias. Depois das notícias esperançosas sobre o desemprego, as mesmas que ignoram os efeitos sazonais aliados ao número sem precedentes de pessoas que abandonaram o país. Seguiram-se as notícias sobre o crescimento económico, anódino e em termos homólogos inquietante, mas ainda assim cresimento; o aumento das exportações e mesmo a questão da recusa irlandesa na aceitação de um programa cautelar, o Governo vê boas notícias e mesmo similitudes (futuras?) com o caso irlandês.
Todavia, o sucesso do Governo mede-se no dia-a-dia. Sublinho até que o Governo tem sido bem sucedido. Senão vejamos: a crise, a vinda das entidades externas, impulsionada por quem nos governa hoje, a pretensa hecatombe provocada por José Sócrates, a perda de soberania, a ameaça com a saída de Portugal do Euro e tudo o mais que redunda na tese da inevitabilidade abriram as portas para a aplicação de uma cartilha ideológica que de outra forma não seria possível aplicar.
Assim, com o contexto ideal, o Governo mostra-se exímio no cumpriemento de metas, ao contrário do que se diz. É exímio na desvalorização salarial, no enfraquecimento do Estado Social, na venda de parte do país, no fortalecimento da casta superior e no empobrecimento de uma boa parte da sociedade.
Por conseguinte, não é justo falar-se em falhanços, incompetências e afins. O Governo tem sido bem sucedido, pelo menos no que realmente interessa - naquilo que se coaduna com a cartilha que o rege.

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