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O caminho mais fácil

O caminho mais fácil, mas paradoxalmente o mais penoso, é o da inevitabilidade - uma inevitabilidade que se reveste das mais diversas formas.
Por aqui já se discutiu, com particular veemência, a inevitabilidade das medidas. Importa também discutir a inevitabilidade que resulta da perda de soberania, que resulta da nossa pretensa pequenez, que resulta das nossas escolhas políticas.
É certo que a perda de soberania nos enfraquece nas mesas de quaisquer negociações: é certo que a posição de devedor (não interesse agora discutir de que dívida se trata, não interessa agora, nem nunca interessará) não é a mais confortável; assim como também é verdadeiro que quando se pensa pequeno age-se em conformidade. Por outro lado, é bem verdade que as nossas escolhas políticas reforçam as posições enfraquecidas de subserviência e de salvaguarda de interesses que não são os dos cidadãos.
Todavia, é mais fácil e mais confortável pensar que não há muito a fazer, tendo em consideração que as decisões são tomadas fora de portas. Assim, inviabiliza-se qualquer outro caminho diferente daquele que tem sido trilhado.
Segundo este pensamento, pouco interessa as escolhas internas, sobretudo em matéria de cortes. Assim, como pouca relevância terá o facto de países como a Irlanda, Espanha e até a Grécia não estarem a aceitar tudo aquilo que lhes é imposto externamente. Nós somos pequenos, pouco relevantes, subservientes e à mercê dos credores. E assim que nos deparamos com um caminho, para alguns mais fácil e mais confortável, mas que nos leva para um beco sem saída. Um caminho que também resulta de escolhas ideológicas internas.

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