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Juízo

Rui Machete, o inamovível, um pouco na mesma linha de Portas, o irrevogável, afirma que Portugal só evitará um segundo resgate se juros descerem para 4,5 por cento a dez anos.
Dos lados do Partido Socialista discute-se o juízo dos ministros do Governo. O certo é que estas declarações vão muito para além da falta de juízo. Estas declarações farão sentido quando o segundo resgate se tornar uma evidência; a designação será outra, os efeitos, esses, serão os conhecidos: mais austeridade.
O Tribunal Constitucional, a oposição e até os sacrossantos mercados serão os responsáveis pelo segundo resgate. Essa responsabilidade não será do Governo.
De resto, um eventual (mais do que certo, na minha opinião) segundo resgate não é forçosamente negativo para a casta superior do país, desde que continue a existir dinheiro para justificar a solvência da banca e desde que os grupos económicos priveligiados não vejam esses privilégios serem cerceados. O número de multimilionários portugueses está a aumentar e estes estão cada vez mais ricos. Afinal, quem é que precisa de ter juízo?

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