segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Irlanda, nem que seja à força

O Governo de Passos Coelho tem mostrado acentuadas dificuldades no que diz respeito à fundamentação das suas medidas. Esgotada a tese da inevitabilidade pela inevitabilidade; ou seja, esgotada a tese de que as medidas têm de ser aplicadas por imposição externa, o Governo vê-se obrigado a ir buscar exemplos que ajudem a fundamentar as suas politicas.
É evidente que o Executivo de Passos Coelho não pode dizer toda a verdade: empobrecemos o país, por imperativo ideológico, mas também por razões mais pragmáticas - o dinheiro tem de se concentrar mais na casta dos negócios, com reduções de impostos, isenções fiscais, negócios obscuros e outras excelentes oportunidades de negócios.
Assim, chegamos à Irlanda. Este país que mantém elevados níveis de competitividade há algumas décadas passou a ser o exemplo por excelência.Os irlandeses até fizeram mais em matéria de cortes nos salários e nas pensões do que nós, afirma Passos Coelho. Não será bem assim. Não interessa, passa-se à frente. Nós somos a Irlanda: não precisamos de programas cautelares, vamos conseguir ultrapassar as dificuldades. Já o outro dizia: antes celta do que grego. Nem que seja à força.
Esquecem-se contudo de um pormenor muito importante: os investidores preferem investir em países com economias dinâmicas como o caso irlandês e não tanto em países pobres e cuja mão-de-obra, apesar de barata, tem dificuldades em competir com outros mercados; os mercados, apesar de tudo, preferem economias dinâmicas que atraiam investimentos.
Antes celta do que grego. Nem que seja à força.

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