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Exiguidade

Os acontecimentos dos últimos anos - dívida pública, sobre a dívida privada nem uma palavra, défice, UE, Zona Euro, mercados, capitalismo financeiro - são assoberbantes.
Por cá, lembramo-nos e somos relembrados, incessantemente, da nossa pretensa pequenez: dirigentes políticos, elite económica, comentadores e comunicação social prestam esse serviço. E nós, pelo menos uma boa parte, assimilamos essa ideia.
A ideia da pequenez já é pré-existente, mas ganha nova e incomensurável dimensão quando confrontados com acontecimentos assoberbantes que nos dominam, que cerceiam o pensamento e que coarctam a acção.
O sentimento de revolta existe; está lá: nas palavras, nos gestos do dia-a-dia, nos olhares. Todavia, o marasmo, sobretudo visível na acção, tem levado a melhor. Impera a ideia de que é tudo demasiado intrincado e que são todos mais fortes, mais inteligentes e mais competitivos do que nós.
Se somos pequenos é porque pensamos pequeno e tudo indica que continuaremos a sê-lo.
Só num contexto de manifesta exiguidade é que é possível que o Presidente da República possa fazer aquela espécie de pedagogia pedante e condescendente como a que a fez há uns dias: sejam normais, subservientes, olhem para a Irlanda e portem-se bem.

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