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As analogias de Moedas

Carlos Moedas, secretário de Estado-adjunto, tem-se mostrado exímio na elaboração de analogias. Ontem, Moedas afirmou que nenhum Governo "impõe austeridade por imperativo ideológico". Carlos Moedas não é só exímio no que toca à elaboração de analogias, mas é também pródigo na criatividade semântica.
Ora, o Governo a que pertence tem uma ideologia e serve-se precisamente da austeridade (resultado de uma crise cuja origem já todos esqueceram) para impor uma transformação na sociedade que de outra forma não seria possível. Só assim se explica a aceitação de cortes no Estado Social e a subsequente abertura de novas oportunidades de negócio aos privados; só assim se explica a aceitação de uma desvalorização salarial; só assim se aceita o retrocesso social de tantos em benefício de alguns.
Moedas, parcimonioso em matéria de honestidade intelectual, mas generoso no que diz respeito a analogias de trazer por casa, comparou ainda o país a um automóvel que tinha o travão de mão activado, acelerando e gastando combustível. Agora, diz Moedas, o mesmo automóvel já desactivou o travão de mão e está em andamento - com isto Moedas pretende demonstrar que o país está em recuperação. Até posso concordar com a pretensa circulação do automóvel, mas não posso deixar de referir que o mesmo embateu contra um qualquer muro e por aí permanece nos últimos dois anos.

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