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Foi ontem

Ou melhor: ontem teria sido o dia em que Portugal regressaria aos mercados, segundo previsões do Governo, designadamente de Vítor Gaspar, o homem que saiu de cena.
É evidente que não se verificou nenhum regresso. De resto, os sacrossantos mercados preferem olhar com acrescida desconfiança para a economia portuguesa, ao invés de nos receberem de braços abertos.
Por outro lado, a troika mostra-se pouco adepta de qualquer flexibilização das metas. Em simultâneo pressiona-se o tribunal constitucional. Prefere-se a pressão a um órgão de soberania do que uma renegociação com base em cortes alternativos àqueles que, para além de imorais, correm o risco de serem também inconstitucionais.
Em bom rigor, importa não esquecer qual tem sido a postura do actual Governo perante a troika, num misto de subserviência externa e prepotência interna. O Governo subscreve a cartilha, chegando ao ponto de manifestar a sua vontade de ir mais longe do que o que já estava estipulado, recusando qualquer negociação com o intuito de aligeirar as medidas.
Agora há eleições. No seio dos partidos cresce a inquietação com a eventual penalização por parte dos eleitores. Agora. Na próxima semana e se os resultados não forem excessivamente negativos, volta tudo ao mesmo.

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