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E nós?

Quando se discute a situação política, económica e social do país, utiliza-se amiúde o pronome pessoal "eles". O"nós" remete-se a uma pusilanimidade com consequências dramáticas.
Ora, se olharmos, e não será necessária muita atenção para o fazermos, para as medidas preconizadas pelo actual Executivo, percebemos a magnitude do retrocesso social que atinge uma larga maioria de cidadãos. O desinvestimento no Estado Social que se agrava com mais cortes nas pensões, a desvalorização salarial, o à-vontade com que vende ao desbarato empresas do Estado, enquanto tudo corre às mil maravilhas para as grandes empresas, sobretudo para os monopólios, e para o sector financeiro, os mesmos que chafurdam na promiscuidade com o poder político.
O retrocesso social, condição imposta para uma pretensa recuperação, já não convence ninguém. As evidências são muitas, os resultados, anódinos, não permitem esconder as políticas abjectas que mudaram a vida dos Portugueses.
A tal promiscuidade, o amiguismo, a corrupção continuam a fazer o seu caminho, enquanto uma vasta maioria de cidadãos empobrece.
Por último, importa não esquecer que estes senhores que encabeçam o Governo - o mesmo que mostra um desrespeito atroz pela Democracia - foram os mesmos que tudo fizeram para que aplicasse a mesma receita aplicada na Grécia e na Irlanda, com os resultados que já se conheciam, sobretudo com o caso Grego.
De um lado, escondidos atrás de uma pretensa legitimidade, protegidos por um Presidente cúmplice e por uma oposição ineficaz, o Governo composto por gente desprovida de vergonha empenha-se em empobrecer o país; do outro uma realidade marcada pela pusilanimidade colectiva. O "nós".  A questão que se coloca é: até quando?

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