Avançar para o conteúdo principal

Partidos políticos e democracia

A democracia não se esgota nos partidos políticos, porém, os partidos políticos são pilares da democracia. Ora, o esvaziamento e descrédito dos partidos políticos resulta no enfraquecimento dos sistemas democráticos.
Com efeito, assiste-se a um afastamento de cidadãos relativamente aos seus representantes, sobretudo em relação àqueles organizados em partidos políticos.
Assim, ou os partidos procuram recuperar terreno perdido ou corre-se o sério risco de se comprometer irreversivelmente os próprios sistemas democráticos.
O anterior Governo pouco ou nada fez em prol da consolidação democrática. O actual governo vai mais longe e faz do descrédito uma das suas principais características. O BPN e as swaps fazem parte do código genético dos membros do Governo.
Paralelamente, cresce a noção de que os representantes dos cidadãos não os representam, demasiado comprometidos que estão com interesses alheios ao bem comum; comprometidos que estão com interesses político-partidários, amiúde resultantes da promiscuidade entre poder político e poder económico.
A título de exemplo, veja-se a forma como o sector financeiro é tratado pelo Governo e a forma, diametralmente oposta, como o comum do cidadão é tratado. Por outras palavras: nas relações com a banca não há margem para qualquer género de prejuízo; para os pensionistas e trabalhadores cortes nas pensões e nos salários.
Ora, até que ponto o povo ainda é soberano? Quando se tem medo de eleições ou quando os representantes eleitos defendem interesses que não são os cidadãos? Ainda se poderá falar de democracia quando o povo perde a sua soberania?
Desde modo, cabe aos cidadãos mostrarem aos partidos políticos que estes insistem em cavar a sua própria sepultura, arrastando consigo a própria democracia.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

A outra doença

Quando todos se empenham no combate ao perigoso vírus, outras doenças subsistem, das quais se destacam a imbecilidade de líderes como Donald Trump e Jair Bolsonaro e uma União Europeia que pouco se esforça para mostrar algum resquício de espírito de união. Agora aparece o Presidente do Eurogrupo e também ministro das Finanças português, pouco entusiasmado, a apresentar um pacote de 500 mil milhões de euros de dívida, perdão, ajuda. Desses 500 mil milhões sobram algumas migalhas para Portugal. De resto, a Europa continua dividida entre países como a Alemanha e os Países Baixos e os países do sul. O egoísmo gritante de uns matará o que resta desta anedota, como quase matou em 2008.. Entretanto, e enquanto os líderes dessa Europa aplicam as suas energias em bloquear soluções, o fascismo vai fazendo o seu caminho, livremente, na Hungria e na Polónia, Estados-membros da UE. Havermos de superar o vírus que paralisou o mundo, mas dificilmente resistiremos à doença do egoísmo nesta espéci...