Avançar para o conteúdo principal

E depois do Verão?

Há uma clara tentativa de se mostrar sinais de melhoria da economia, tanto interna como externamente. O crescimento na Zona Euro é quase inexistente, mas há quem veja nesse anódino crescimento um sinal inequívoco de que tudo está a melhorar.
Agora vive-se o período de férias, silly season e afins. Depois do Verão, o discurso que postula a existência de um novo rumo mais dirigido para o crescimento e as pretensas melhorias das economias vão fazer o seu caminho.
No entanto, essas alegadas boas notícias, quase todas empoladas, esbarram num elemento central: a ideologia vigente sobretudo na União Europeia, com especial destaque para a Zona Euro. A mistura de neoliberalismo com o ordoliberalismo tipicamente alemão tem produzido receitas desastrosas que beneficiam claramente uma minoria em detrimento da maioria dos cidadãos.
Os períodos eleitorais que se avizinham não auguram mudanças significativas, sobretudo em países como a Alemanha. Enquanto vigorarem as políticas preconizadas por quem dirige os destinos da Europa não há sequer esperança de qualquer melhoria.
Por cá, temos um dos mais fervorosos arautos da mescla neoliberalismo (adaptado ao contexto nacional e com algumas nuances que não são de somenos importância) e o ordoliberalismo. Tudo isto regado com uma boa dose de arrogância e incompetência. Avizinha-se um período eleitoral que pode ser aproveitado para mostrar o descontentamento que por aí há. A ver vamos.


Regresso em Setembro.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sobre os criminosos: Jair Bolsonaro

Odeio uma miúda de 16 anos, e agora?

É digno de registo verificar a quantidade de gente que odeia - o termo é mesmo o mais indicado - uma jovem de 16 anos, de seu nome Greta Thunberg, que tem andado por aí a lutar para que se responda à emergência climática. Se a forma escolhida pela jovem é a mais eficiente, é outra questão, mas mesmo que não o seja, nada justifica a torrente de ódio que por aí grassa. É também caso para se lançar um apelo a quem não só odeia Greta, como não se coíbe de andar pelas redes sociais a destilar esse ódio: façam uma introspecção. Procurem a origem desse ódio: é por se tratar de uma jovem? É por ser uma rapariga? É por ter mais massa cinzenta? É por ter coragem? Coisa que o frustrado de telemóvel na mão é incapaz de compreender, quanto mais e alcançar. Ou é pelo facto de ser uma jovem de uns meros 16 anos a falar a verdade que tanto custa ouvir? Será porque essa verdade, quando aceite, obriga a mudanças radicais? Ou será que a causa é bem mais singela? O ódio a si próprio. Coloquem a questão so…

Não há planeta para a globalização

No seu livro "Down to Earth" Bruno Latour afirma, sem margem para equívocos, que não existe planeta para a globalização, estabelecendo uma relação entre as desigualdades, a desregulação e as questões ambientais num contexto de morte da solidariedade dos mais ricos em relação a todos os outros. De resto, num planeta sem espaço para todos, qual o sentido da solidariedade e num cenário em que não existe um futuro comum qual a razão dessa solidariedade, quando o que interessa é sobreviver?  Latour refere a Cimeira de Paris, em 2015, como ponto de viragem. Nessa cimeira, as várias lideranças políticas ter-se-ão apercebido de que modernidade com quem sempre sonharam não passará de um mero sonho. Não há planeta para a globalização.  O filósofo, antropólogo e sociólogo defende a necessidade de repensarmos conceitos como a modernidade, as fronteiras, o global e o local, referindo igualmente a necessidade de se dar início a novos planos para habitar a terra. Este e outros pontos de parti…