Avançar para o conteúdo principal

Agarrados ao poder


Mariano Rajoy, presidente do governo espanhol, admitiu finalmente ter recebido pagamentos extra no âmbito do Partido Popular. A existência de uma contabilidade paralela não será exclusiva do Partido Popular espanhol, nem tão-pouco exclusiva do sistema político no país vizinho.
Rajoy já tinha sido acusado de ter recebido pagamentos ilegais. Agora, fez esse reconhecimento.
Rajoy, à semelhança de outros políticos, muito em particular na Europa, mostram estar agarrados ao poder. Com efeito, existe um projecto que está a levar o seu curso e que ainda está longe de atingir o seu término; um projecto que está a transformar a Europa, tornando incomensuráveis as suas diferenças sociais; um projecto que serve de suporte ao sistema financeiro e que abre, em simultâneo, as portas para uma verdadeira transformação no modelo social europeu.
Rajoy é um dos executantes desse projecto. Por cá, Pedro Passos Coelho, coadjuvado por Paulo Portas, faz as vezes da casa. E também o primeiro-ministro, embora sem similitudes com o caso de Rajoy, também se mostra agarrado ao poder. Também aqui há muito trabalho para ser feito, precisamente no âmbito do já referido projecto: ainda há um Estado Social, ainda sobram alguns direitos dos trabalhadores; ainda há salários para desvalorizar; ainda há sectores estratégicos para privatizar; ainda existe um sector financeiro que precisa de viver sob a protecção do Estado.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Fim do sigilo bancário

Tudo indica que o sigilo bancário vai ter um fim. O Partido Socialista e o Bloco de Esquerda chegaram a um entendimento sobre a matéria em causa - o Bloco de Esquerda faz a proposta e o PS dá a sua aprovação para o levantamento do sigilo bancário. A iniciativa é louvável e coaduna-se com aquilo que o Bloco de Esquerda tem vindo a propor com o objectivo de se agilizar os mecanismos para um combate eficaz ao crime económico e ao crime de evasão fiscal. Este entendimento entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista também serve na perfeição os intentos do partido do Governo. Assim, o PS mostra a sua determinação no combate à corrupção e ao crime económico e, por outro lado, aproxima-se novamente do Bloco de Esquerda. Com efeito, a medida, apesar de ser tardia, é amplamente aplaudida e é vista como um passo certo no combate à corrupção, em particular quando a actualidade é fortemente marcada por suspeições e por casos de corrupção. De igual forma, as perspectivas do PS conseguir uma ma...

Mais uma indecência a somar-se a tantas outras

 O New York Times revelou (parte) o que Donald Trump havia escondido: o seu registo fiscal. E as revelações apenas surpreendem pelas quantias irrisórias de impostos que Trump pagou e os anos, longos anos, em que não pagou um dólar que fosse. Recorde-se que todos os presidentes americanos haviam revelado as suas declarações, apenas Trump tudo fizera para as manter sem segredo. Agora percebe-se porquê. Em 2016, ano da sua eleição, o ainda Presidente americano pagou 750 dólares em impostos, depois de declarar um manancial de prejuízos, estratégia adoptada nos tais dez anos, em quinze, em que nem sequer pagou impostos.  Ora, o homem que sempre se vangloriou do seu sucesso como empresário das duas, uma: ou não teve qualquer espécie de sucesso, apesar do estilo de vida luxuoso; ou simplesmente esta foi mais uma mentira indecente, ou um conjunto de mentiras indecentes. Seja como for, cai mais uma mancha na presidência de Donald Trump que, mesmo somando indecências atrás de indecência...