Avançar para o conteúdo principal

Remodelação


Ontem ficámos a conhecer os novos ministros do moribundo governo de Passos Coelho e Paulo Portas. Entre eles, conta-se Rui Machete, ministro dos Negócios Estrangeiros. E de negócios e negociatas percebe o dito senhor, cuja passagem pelo BPN e pelo BPP são conhecidas, embora convenientemente omitidas da sua biografia.
É claro que não há pudor quando se exige o corte de quase 5 mil milhões de euros em pensões, salários, postos de trabalho e Estado Social, depois de se ter nacionalizado os prejuízos do BPN que nos custaram 5, 6,7 8 mil milhões de euros (?); depois de se saber que a venda do BPN aos Angolanos do BIC por uns meros 40 milhões, afinal contém contrapartidas que podem custar mais 800 milhões ao erário público, e quando o ministro dos Negócios Estrangeiros  é alguém que teve uma posição importante no grupo envolvido na burla que tanto nos custou a todos nós que vivemos acima das nossas possibilidades.
O Presidente da República tudo tem feito para manter o actual governo mais ou menos remodelado.
Todavia, a possibilidade de eleições antecipadas não é tão improvável quanto isso, sobretudo se estivermos perante a eminência de um segundo resgate. Perante tudo isto, nós cidadãos, preferimos continuar a assistir  ao que se passa na qualidade de espectadores e enquanto assim for, a tal ausência de pudor continuará a recrudescer e nós, os tais que temos vivido acima das nossas possibilidades, os mesmos que não podem estar sempre a contar com os países do norte da Europa para pagar os nossos vícios, vamos continuar a pagar.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sobre os criminosos: Jair Bolsonaro

Odeio uma miúda de 16 anos, e agora?

É digno de registo verificar a quantidade de gente que odeia - o termo é mesmo o mais indicado - uma jovem de 16 anos, de seu nome Greta Thunberg, que tem andado por aí a lutar para que se responda à emergência climática. Se a forma escolhida pela jovem é a mais eficiente, é outra questão, mas mesmo que não o seja, nada justifica a torrente de ódio que por aí grassa. É também caso para se lançar um apelo a quem não só odeia Greta, como não se coíbe de andar pelas redes sociais a destilar esse ódio: façam uma introspecção. Procurem a origem desse ódio: é por se tratar de uma jovem? É por ser uma rapariga? É por ter mais massa cinzenta? É por ter coragem? Coisa que o frustrado de telemóvel na mão é incapaz de compreender, quanto mais e alcançar. Ou é pelo facto de ser uma jovem de uns meros 16 anos a falar a verdade que tanto custa ouvir? Será porque essa verdade, quando aceite, obriga a mudanças radicais? Ou será que a causa é bem mais singela? O ódio a si próprio. Coloquem a questão so…

Não há planeta para a globalização

No seu livro "Down to Earth" Bruno Latour afirma, sem margem para equívocos, que não existe planeta para a globalização, estabelecendo uma relação entre as desigualdades, a desregulação e as questões ambientais num contexto de morte da solidariedade dos mais ricos em relação a todos os outros. De resto, num planeta sem espaço para todos, qual o sentido da solidariedade e num cenário em que não existe um futuro comum qual a razão dessa solidariedade, quando o que interessa é sobreviver?  Latour refere a Cimeira de Paris, em 2015, como ponto de viragem. Nessa cimeira, as várias lideranças políticas ter-se-ão apercebido de que modernidade com quem sempre sonharam não passará de um mero sonho. Não há planeta para a globalização.  O filósofo, antropólogo e sociólogo defende a necessidade de repensarmos conceitos como a modernidade, as fronteiras, o global e o local, referindo igualmente a necessidade de se dar início a novos planos para habitar a terra. Este e outros pontos de parti…