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O rídiculo

A semana tem sido pródiga em demissões no Governo. Começou com Vítor Gaspar, depois Paulo Portas e, em consequência, todos os ministros e secretários de Estado do CDS-PP.
Pedro Passos Coelho decidiu falar ao país. Em vez do anúncio da sua demissão, o primeiro-ministro preferiu abordar o assunto da demissão do Presidente do partido que suporta o partido da coligação, mostrando que não aceita a demissão, discursando num tom de quase condescendência, diminuindo Paulo Portas, ministro demissionário, diminuindo-se a si próprio e diminuindo o país. Os interesses partidários, com eleições à porta, não serão alheios à decisão do primeiro-ministro. O país, esse, é a última das suas preocupações.
A comunicação de Pedro Passos Coelho ao país é um sinal de como a obstinação pode redundar numa situação ridícula. O que país assistiu ontem às 20h foi ao exercício penoso e ridículo de um primeiro-ministro que insiste em manter-se em funções quando tudo, rigorosamente tudo, indica que não haver condições para essa manutenção.
O Governo não tem condições para continuar em funções. É urgente que se convoquem eleições antecipadas, o quanto antes. Recorde-se que este também é o ano de eleições na Alemanha, o que poderá representar uma janela de oportunidade para quem negoceia com as instâncias europeias subservientes ao diktat alemão. A chanceler Angela Merkel necessita de bons exemplos - a Irlanda entrou em recessão, a Grécia é que se sabe e Portugal poderia ser, com recurso a muita imaginação, o tal bom exemplo de como as políticas advogadas por Merkel funcionam. Essa é uma oportunidade que não deve ser desperdiçada.
De qualquer modo, terá de ser outro Governo a encetar negociações. Este que se mantém incrivelmente em funções, para além de ser mais papista do que o Papa, não tem credibilidade e não tem condições para encabeçar quaisquer negociações com as instâncias internacionais. Este Governo está liquidado. Só Passos Coelho e, até ver, o Presidente da República é que ainda não aceitaram esta verdadeira inevitabilidade. Ridículo.

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