Em ano de eleições, Angela Merkel insiste na tese de tudo está a
correr bem, sobretudo nos países alvo de intervenção. De certa forma,
Merkel tem razão. Senão, vejamos: A Irlanda, apesar da recessão,
continua a seguir a receita da troika, com maior ou menor fervor; a
Grécia, apesar do enfraquecimento político do primeiro-ministro Samaras
consequência da saída de um partido da coligação, vai-se afundando na
miséria, mas insiste na mesma receita; as economias espanhola, italiana e
até a francesa já conheceram melhores dias, mas finge-se que com a tal
austeridade tudo se resolve; e, finalmente, Portugal que fugiu das
eleições como o Diabo da cruz e cujo Presidente preferiu manter um
governo a cheirar a podre. Na periferia da Europa faz-se troça da
democracia; na periferia da Europa, nada de novo.
CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...
Comentários