Em ano de eleições, Angela Merkel insiste na tese de tudo está a
correr bem, sobretudo nos países alvo de intervenção. De certa forma,
Merkel tem razão. Senão, vejamos: A Irlanda, apesar da recessão,
continua a seguir a receita da troika, com maior ou menor fervor; a
Grécia, apesar do enfraquecimento político do primeiro-ministro Samaras
consequência da saída de um partido da coligação, vai-se afundando na
miséria, mas insiste na mesma receita; as economias espanhola, italiana e
até a francesa já conheceram melhores dias, mas finge-se que com a tal
austeridade tudo se resolve; e, finalmente, Portugal que fugiu das
eleições como o Diabo da cruz e cujo Presidente preferiu manter um
governo a cheirar a podre. Na periferia da Europa faz-se troça da
democracia; na periferia da Europa, nada de novo.
Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página. Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...
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