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As galerias


Ontem assistimos, desta feita na Assembleia da República, a mais um sinal de degradação da democracia portuguesa. Um grupo de perto de cem pessoas protestou com particular veemência contra alterações substanciais na carreira pública.
A resposta da Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, não podia ter sido pior. Não lhe chegou pedir a evacuação das galerias, não foi suficiente reforçar a sua pretensa legitimidade, não lhe chegou citar Simone de Beauvoir, não lhe chegou fazer comparações obtusas a partir de um citação cujo contexto não pode ser esquecido, a Presidente da Assembleia da República mesmo viu-se impelida a reforçar a necessidade de se rever o acesso às galerias da Assembleia da República - as chamadas galerias do povo. Esta afirmação a clamar por um potencial condicionamento dos cidadãos às galerias foi seguida pelo gáudio dos deputados do PSD e alguns do CDS.
As imagens são inquietantes; as palavras da Presidente da Assembleia da República são anti-democráticas e revelam mais um sinal inquietante da fragilização da democracia. A mera proposta do encerramento das galerias daquela que é a casa da democracia e subsequentemente a casa do povo é sinal de autoritarismo e de desorientação de quem ainda não percebeu que já há muito que só tem uma legitimidade meramente formal.E há quem ainda apregoe que não são necessárias eleições
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