O neoliberalismo que atinge o seu auge, paradoxalmente
depois da crise de 2008, conhecendo uma renovada força desde os áureos
tempos de Tatcher e de Reagan, tem vindo a enfraquecer a democracia.
A democracia coloca entraves à disseminação da ideologia que
também por cá se instalou. Veja-se a forma como este Governo lida com o
Tribunal Constitucional e com as suas deliberações. Veja-se a forma como
o próprio Presidente da República lida com a Constituição. Trata-se apenas de um exemplo.
Em Portugal, à semelhança do que acontece com outros países, as
democracias são indissociáveis de pactos sociais que estão a ser
genericamente desrespeitados. Quem governa, representa interesses
alheios ou contrários ao interesse comum, deixando o povo de ser
soberano, para no seu lugar, as grandes empresas e a alta finança,
através de representantes, tomarem as decisões. Esvazia-se o conceito de
democracia.
Hoje o perigo da democracia ser substituída por regimes déspotas,
xenófobos, fascistas é uma realidade. Curiosamente será através de
mecanismos democráticos que esses regimes contrários à própria
democracia conseguirão chegar ao poder. Atente-se ao caso francês.
Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página. Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...
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