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Vítor Gaspar e a ortodoxia

Chamo-lhe ortodoxia para não lhe chamar outra coisa. Uns prefere o termo "teimosia"; outros "cegueira"; outros ainda escolhem epítetos mais escabrosos. Seja como for, a verdade é que o inefável ministro das Finanças pertence à escola dos mais radicais, invariavelmente alheio à realidade.
A postura de Gaspar e as suas ideias manifestadas no Ecofin são sintomáticas de uma ortodoxia que se encontra rival no ministro das Finanças Alemão. Vítor Gaspar quer cumprir o que está "contratualizado", custe o que custar - custe a quem custar. Sendo certo que custa a muita gente, onde, de facto, Gaspar não se inclui.
Vítor Gaspar, à semelhança de outras criaturas que se excitam perante o neoclassicismo económico, sempre regeu a sua vida profissional crente numa determinada corrente económica - toda a sua vida assenta nessas premissas decorrentes de uma determinada visão da economia. A palavra "cegueira" à qual acrescento a palavra "ideológica" assentam bem no ministro das Finanças.
Infelizmente, essa cegueira ideológica, como outras no passado, têm consequências trágicas sobre os povos. E parece haver uma certeza: apesar da contestação social e do desagrado dos cidadãos, o silêncio do presidente e a inépcia da oposição oferecem garantias de durabilidade a um Governo que está para ficar até ao final da legislatura, custe o que custar; custe a quem custar.

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