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Salários baixos


As declarações de Belmiro de Azevedo poderiam nem merecer quaisquer comentário, mas no espírito da pluralidade de opinião, presto-me ao exercício penoso de comentar as palavras do senhor em questão que, surrealmente, conta com toda a atenção da comunicação social.
Belmiro de Azevedo fez, no Clube dos Pensadores, a apologia dos baixos salários, referindo que assim não fosse nem sequer haveria trabalho, o discurso de cariz feudal foi feito em 2013 - é sempre profícuo situar temporalmente estas opiniões.
Para compor o ramalhete, o Sr. dos hipermercados ainda fez questão de afirmar, sem qualquer tipo de constrangimento, que os desempregados que se deslocam às manifestações procuram divertir-se. Sobre este aspecto particular do discurso do Sr. Continente abstenho-me de comentar, até por razões de higiene mental.
Voltando aos salários baixos, o Sr. Continente - o mesmo que paga impostos na Holanda e que promove a miséria em Portugal - tem um discurso consonante com a ideologia do Governo. Se dúvidas existissem, veja-se as negociações entre os parceiros sociais, a propósito do salário mínimo, e o Governo.
Apesar da miséria que se tem vindo a instalar em Portugal, e talvez graças a ela, estes senhores, apoiantes declarados do Governo, subscritores de políticas que promovem a miséria ao mesmo tempo que aumentam os seus rendimentos obscenos, vão tendo o seu tempo de antena garantido, como se de sumidades se tratassem.
Para finalizar, importa referir que o Sr. Belmiro acredita piamente que a democracia não se faz nas ruas. Trata-se mesmo de uma crença, porque no dia que as "ruas" se insurgirem, o Sr. Belmiro e outros não terão outro remédio que não seja apanhar o primeiro voo para o Brasil, ou para um qualquer outro destino, já que perdeu essa oportunidade noutros tempos.

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