Avançar para o conteúdo principal

O recuo

A Zona Euro recuo no plano de taxar depósitos bancários inferiores a cem mil euros. A ideia é, segundo as autoridades europeias, proteger os pequenos depositantes, passando também a ideia de que a Zona Euro não obrigou o Chipre a tomar as medidas que tanta polémica vieram a causar. O ministro alemão das Finanças criticou o modelo económico seguido pelos Cipriotas.
Ora, o recuo é consequência da polémica que a medida veio a causar. O recuo é consequência directa dessas criticas que sublinharam a forte possibilidade da medida pôr em causa a confiança no sistema bancário, inclusivamente no sistema bancário a nível europeu.
As autoridade europeias tentam deixar bem claro que não obrigaram o governo cipriota a aceitar o confisco. É difícil dizer o que se passou na reunião de sábado, ficando no entanto a ideia das posições, sendo que a do Chipre é indubitavelmente de maior fragilidade. E é conhecida a ausência de solidariedade entre os países com maior influência e os mais fragilizados.
Finalmente, as declarações de Schäuble, ministro das Finanças Alemão, são duras com o Chipre, designadamente com a escolha do seu modelo económico. Se fossemos todos ingénuos acreditaríamos que essa escolha foi toda ela feita à revelia da Europa.
O recuo, ainda assim, é positivo, na medida em que coarcta uma injustiça com os pequenos depositantes. Todavia, fica a ideia de uma Europa sem rumo e a ameaça que recai sobre o seu sistema bancário não foi totalmente eliminada. Resta saber de que forma decorrerão as votações em Chipre. Sim, porque, apesar de tudo, ainda se vislumbram laivos de democracia por essa Europa fora.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Mais uma indecência a somar-se a tantas outras

 O New York Times revelou (parte) o que Donald Trump havia escondido: o seu registo fiscal. E as revelações apenas surpreendem pelas quantias irrisórias de impostos que Trump pagou e os anos, longos anos, em que não pagou um dólar que fosse. Recorde-se que todos os presidentes americanos haviam revelado as suas declarações, apenas Trump tudo fizera para as manter sem segredo. Agora percebe-se porquê. Em 2016, ano da sua eleição, o ainda Presidente americano pagou 750 dólares em impostos, depois de declarar um manancial de prejuízos, estratégia adoptada nos tais dez anos, em quinze, em que nem sequer pagou impostos.  Ora, o homem que sempre se vangloriou do seu sucesso como empresário das duas, uma: ou não teve qualquer espécie de sucesso, apesar do estilo de vida luxuoso; ou simplesmente esta foi mais uma mentira indecente, ou um conjunto de mentiras indecentes. Seja como for, cai mais uma mancha na presidência de Donald Trump que, mesmo somando indecências atrás de indecências, vai fa

Outras verdades

 Ontem realizou-se o pior debate da história das presidenciais americanas. Trump, boçal, mentiroso, arrogante e malcriado, versus Biden que, apesar de ter garantido tudo fazer  para não cair na esparrela do seu adversário, acabou mesmo por cair, apelidando-o de mentiroso e palhaço.  Importa reconhecer a incomensurável dificuldade que qualquer ser humano sentiria se tivesse que debater com uma criança sem qualquer educação. Biden não foi excepção. Trump procurou impingir todo o género de mentiras, que aos ouvidos dos seus apoiante soam a outras verdades, verdades superiores à própria verdade. Trump mentiu profusamente, até sobre os seus pretensos apoios. O sheriff de Portland, por exemplo, já veio desmentir que alguma vez tivesse expressado apoio ao ainda Presidente americano. Diz-se por aí que Trump arrastou Biden para a lama. Eu tenho uma leitura diferente: Trump tem vindo a arrastar os EUA para lama. Os EUA, nestes árduos anos, tem vindo a perder influência e reputação e Trump é o ma

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa