Avançar para o conteúdo principal

Justiça

Dizer que a Justiça é inoperante, mal concebida, ineficaz, morosa, etc, de tão frequente e de tão evidente, transformou-se num lugar comum. Dizer que a Justiça não salvaguarda a equidade entre cidadãos, tratando-os de forma diferente é outra evidência.
Enfatizar a eficácia da Justiça como elemento essencial ao desenvolvimento do país é exercício reiterado.
Sublinhar a importância do Estado de Direito no contexto da democracia é outro exercício a que muitos se prestam.
As consequências de tanta evidência são inexistentes. Os principais partidos, presos por rabos de palha, evitam abordar a questão. Se dúvidas existissem, veja-se a forma como os deputados abordam a questão da Justiça no Parlamento - entre palavras vazias e gestos inócuos, fica tudo, naturalmente, na mesma.
Um dos aspectos mais preocupantes e que se tem agravado nos últimos anos prende-se com o acesso dos cidadãos à Justiça, sendo que se tornou cada vez mais dispendioso recorrer a instrumentos que permitam restabelecer, em muitos casos, os direitos dos cidadãos. Ora, existindo entraves, mais concretamente de natureza económica, no acesso à Justiça, deita-se por terra o Estado de Direito essencial à própria democracia. E torna-se por demais evidente que o actual Governo não tem vontade política para mudar o que quer que seja, até porque mudanças muito profundas poderiam trazer calafrios àqueles que ocupam lugares de destaque nas últimas décadas.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sobre os criminosos: Jair Bolsonaro

Odeio uma miúda de 16 anos, e agora?

É digno de registo verificar a quantidade de gente que odeia - o termo é mesmo o mais indicado - uma jovem de 16 anos, de seu nome Greta Thunberg, que tem andado por aí a lutar para que se responda à emergência climática. Se a forma escolhida pela jovem é a mais eficiente, é outra questão, mas mesmo que não o seja, nada justifica a torrente de ódio que por aí grassa. É também caso para se lançar um apelo a quem não só odeia Greta, como não se coíbe de andar pelas redes sociais a destilar esse ódio: façam uma introspecção. Procurem a origem desse ódio: é por se tratar de uma jovem? É por ser uma rapariga? É por ter mais massa cinzenta? É por ter coragem? Coisa que o frustrado de telemóvel na mão é incapaz de compreender, quanto mais e alcançar. Ou é pelo facto de ser uma jovem de uns meros 16 anos a falar a verdade que tanto custa ouvir? Será porque essa verdade, quando aceite, obriga a mudanças radicais? Ou será que a causa é bem mais singela? O ódio a si próprio. Coloquem a questão so…

Não há planeta para a globalização

No seu livro "Down to Earth" Bruno Latour afirma, sem margem para equívocos, que não existe planeta para a globalização, estabelecendo uma relação entre as desigualdades, a desregulação e as questões ambientais num contexto de morte da solidariedade dos mais ricos em relação a todos os outros. De resto, num planeta sem espaço para todos, qual o sentido da solidariedade e num cenário em que não existe um futuro comum qual a razão dessa solidariedade, quando o que interessa é sobreviver?  Latour refere a Cimeira de Paris, em 2015, como ponto de viragem. Nessa cimeira, as várias lideranças políticas ter-se-ão apercebido de que modernidade com quem sempre sonharam não passará de um mero sonho. Não há planeta para a globalização.  O filósofo, antropólogo e sociólogo defende a necessidade de repensarmos conceitos como a modernidade, as fronteiras, o global e o local, referindo igualmente a necessidade de se dar início a novos planos para habitar a terra. Este e outros pontos de parti…