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Confiança no sistema bancário

O resgate de Chipre que se consubstanciou na retirada de uma percentagem dos depósitos bancários tem consequências imediatas, sendo que a perda de confiança no sistema bancário é por demais evidente. Para além da questão de injustiça da medida por afecta pequenos depositantes e da forma atabalhoada como foi posta em prática, existe indubitavelmente o problema da confiança no próprio sistema bancário. Mesmo que se sublinhe que a medida tem como objectivo "apanhar" dinheiro "lavado", russo ou de qualquer outra proveniência, o facto é que todo o sistema bancário é afectado e importa recordar o peso deste sector neste pequeno país.
Paradoxalmente, a confiança no sistema bancário tem sido apontada como uma prioridade a nível europeu, o que torna a medida posta em prática no Chipre estranha, para recorrer a um eufemismo. Afinal de contas, quem é que poderá manter confiança no sistema bancário quando pode haver lugar a este género de confisco de um dia para o outro?
O mal-estar é geral. Os principais jornais económicos criticam a medida. Os cidadãos europeus temem que uma medida semelhante possa algum dia a ser aplicada nos seus países, em particular naqueles que já se encontram em dificuldades.
Uma explicação possível para uma medida tão obtusa pode passar pelo experimentalismo. Os países que são alvo de resgate passam então por uma fase de experimentalismo, tornando-se meras cobaias de versões ultraortodoxas de uma ideologia caduca e perigosa. O desnorte da própria União Europeia é cada vez mais uma evidência.

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