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Os desafios do PS


Miguel Relvas está convencido que o Governo de Passos Coelho está para durar - até 2015. Eu não teria tantas certezas, embora reconheça a probabilidade incrivelmente diminuta do Governo cair. Até lá os partidos da oposição têm de agir em conformidade, fazendo uma oposição com ideias e alternativas. Hoje discutiremos o PS que deixa muito a desejar no que diz respeito a ideias e alternativas.
E para piorar, Francisco Assis entusiasma-se com a ideia do partido a que pertence - no rescaldo de umas próximas eleições e sem garantir uma maioria absoluta - se juntar à direita, referindo-se ao CDS como um parceiro mais natural do que o Bloco de Esquerda ou o PCP.
O PS de António José Seguro passa grande parte do seu tempo a titubear, sendo essa a sua actividade predilecta. Ideias e alternativas escasseiam. A excepção terá sido a carta enviada pelo secretário-geral do partido, alertando a Troika para os riscos por demais evidentes de rupturas.
O PS ideologicamente quer estar longe do PSD (o próprio parceiro de coligação, o CDS, almeja pela distância do PSD) mas mostra-se incapaz de demonstrar que esse distanciamento é suficiente. Quanto aos partidos mais à esquerda, a divergência é óbvia: esses partidos encontram soluções fora do que é proposto pela  Troika e o PS encontra hipotéticas soluções dentro do espaço da Troika.
Até às eleições, sejam elas ainda este ano, em 2014, ou, no pior dos cenários, em 2015, o facto é que o PS vai continuar a titubear perante os enormes desafios que tem pela frente: apresentar um rumo diferente daquele que tem sido seguido e que tem levado o país à ruína. Até lá, o Partido Socialista manter-se-á infiel aos seus princípios, preferindo o deslumbramento, embora menor do que aquilo que se verifica nos partidos da coligação que forma o Governo, por ideias pouco consonantes com os ideais que são a sua matriz.

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