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Fome

Com a miséria vem a fome. Portugal, para além de ter entrado numa espiral recessiva, entrou numa espiral de miséria. O primeiro-ministro, sorrindo perante versos de Zeca Afonso, conserva, perante esta e outras realidades, uma insensibilidade social gritante. O primeiro-ministro e o seu séquito mantêm-se irredutíveis nas políticas de empobrecimento. Não há equívocos - o país é para empobrecer, a miséria instala-se e com ela a fome.
Na semana passada vimos imagens de gente faminta num país que abriu as hostilidades em matéria de austeridade. Por aqui, quem dirige o país, prefere outros exemplos, designadamente o da Irlanda, embora seja difícil encontrar paralelos entre as duas situações.
Por aqui, quem nos governa, ignora o facto de haver quem passe fome, uma fome que só não é maior devido a instituições que conseguem atenuar o problema e à solidariedade familiar. A fome é o resultado directo das políticas deste governo, em nome de uma dívida que ninguém conhece em detalhe; em nome de uma consolidação orçamental a todo o custo; em nome de uma ideologia que tomou conta de Portugal e de boa parte da Europa.
A fome foi chegando, sorrateiramente. A fome foi fazendo o seu caminho, até se apoderar da alma. No fim sobra um corpo faminto e uma alma vazia. Amanhã e dia 2 de Março são bons dias para dizer "basta!".

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