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Esperança, a última a morrer

Diz-se que a esperança é a última a morrer. Infelizmente, em Portugal, muitos já lhe fizeram o funeral. As crises que se sucederam durante mais de uma década e esta crise cuja génese já todos esqueceram foram decisivas para esse funeral.
Não se sabe muito bem o que resta a um povo desprovido de esperança.
O Governo não vê como sua função o reestabelecimento da esperança. A sua acção assenta em três frentes: desvalorização salarial, venda de sectores estratégicos do país e consequente abertura da economia portuguesa e desmantelamento do Estado Social - tudo em nome de uma dívida cujos contornos permanecem opacos. A verdade vai muito além da dívida, desaguando nos desígnios ideológicos que todos conhecemos.
Tudo o resto é desencorajador: os números (irreais, ainda assim) do desemprego, a precariedade galopante, a inexistência de vida na própria economia, em suma, o retrocesso social.
Uns parece que conseguem suportar uma vida desprovida de esperança, vivendo um dia de cada vez, pelo menos por enquanto; outros procuraram recuperar essa esperança noutras paragens; outros ainda não cessam de lutar para que a esperança seja de facto a última a morrer. Para esses - e para os outros, espera-se - o dia 2 de Março que se aproxima é mais um dia de luta - uma luta sobretudo pelo futuro.

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