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Nova nota de cinco euros

Não é assunto com particular relevância, ainda assim vale a pena referir que a nova nota de cinco euros evoca a figura mitológica grega Europa. É paradoxal, irónico, revela despudor de uma Europa tecnocrata agarrada a uma ideologia nefasta, refém de egoísmos atrozes.
A nota, apresentada pelo tecnocrata e Presidente do Banco Central Europeu, Mário Draghi, faz referência à matriz cultural europeia indissociável da vasta herança helénica.
Pelo caminho, ignora-se o tratamento a que o país que nos legou essa cultura tem sido sujeito. Entre ameaças de saída da moeda única, depois de países afastarem-se da Grécia como se este fosse um Estado pária; depois de humilhações e de processos de culpabilização, traz-se à colação a herança que esse país nos deixou.
Não há limites para o despudor desta gente cega ideologicamente, afastada dos seus cidadãos e lacaia do sector financeiro. Não há intenções de se alterar estruturalmente o funcionamento da moeda única, nem tão-pouco se vislumbra qualquer laivo de união política.
A União Europeia, prémio Nobel da Paz, muda as suas notas, deixando morrer, vagarosamente, um dos seus membros, mas fazendo questão de evocar a vasta herança que esse mesmo membro deixou. É preciso ter lata.

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