segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Pensões

O primeiro-ministro afirmou que algumas pensões não correspondem ao que as pessoas descontaram, procurando deste modo justificar uma das medidas mais penalizadoras do Orçamento de Estado de 2013. Segundo o primeiro-ministro, as pensões mais elevadas não correspondem aos descontos efectuados.
A frase provocou celeuma com referências a "caneladas" e afins. No entendimento de Marcelo Rebelo de Sousa, as críticas do primeiro-ministro visam o Presidente da República, entre outras individualidades.
Ora, mais uma vez recorre-se à estratégia que incide sobre as divisões para melhor reinar. Diz-se que quem tem uma pensão elevada (falta saber qual o limite a partir do qual se trata de uma pensão elevada) não contribuiu para essa benesse. Desde logo, e embora seja do conhecimento público a existência de pensões elevadas de titulares de cargos públicos cuja carreira contributiva terá sido curta, esta é mais uma generalização abusiva. Há quem tenha pensões acima da média e que descontou durante largas décadas para mais tarde socorrer-se dessa reforma.
De qualquer modo, a questão para Coelho é de somenos. O primeiro-ministro, num tom demagógico, procura justificar o que muitos consideram inconstitucional. Foi esse o seu objectivo.

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