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O interesse nacional

Não nos equivoquemos, o interesse nacional tão do agrado de Paulo Portas, ministro dos Negócios Estrangeiros, e Cavaco Silva, Presidente da República, não terá exactamente o interesse de todos nós.
Com efeito, o interesse nacional que justifica tudo em tempos de excepção, inclusivamente atropelos à Lei, associado à ideia de inevitabilidade confere a estes senhores uma espécie de salvaguarda das suas posições, ao mesmo tempo que pretende justificar o verdadeiro roubo que se avizinha.
Ora, o Presidente da República voltou a não surpreender, deixando passar a possibilidade de enviar o Orçamento de Estado para fiscalização preventiva. Se lhe perguntarem a razão, aposto que a mesma se prende com o interesse nacional.
Sejamos realistas, o interesse nacional não é o mesmo dos desempregados, dos pensionistas, dos trabalhadores. O interesse nacional é o da banca, sobretudo da banca e, por inerência, dos mercados. Por outro lado, o interesse nacional parece indissociável do interesse alemão. Estes são os verdadeiros interesses que subjazem a todas as decisões tomadas por estes senhores e, como todos já percebemos, a pusilanimidade não se encontra arredada destas mesmas questões.

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