Avançar para o conteúdo principal

Segunda parte

Começamos a assistir à segunda parte do assalto congeminado pelo actual Executivo e pela Troika: o Estado. A reforma "ambiciosa" do Estado; a refundação. Ora, já se percebeu onde é que essa reforma vai incidir; já se percebeu o que vai acontecer ao Estado Social.
A reforma do Estado não é por si só uma ideia infeliz, pelo contrário. De facto, todos concordamos que o Estado é ineficiente, conspurcado pelo compadrio e por várias outras formas de corrupção, entregue à voracidade de Governos que o utilizam para os seus fins.
Mesmo em relação ao Estado Social, poder-se-á afirmar, sem grande contestação, que há margem significativa para fazer melhor. Não será este o objectivo do Governo que passa antes por cortes incomensuráveis nos pilares do Estado Social, e o seu subsequente enfraquecimento para que o sector privado possa entrar nesses sectores sem causar grande celeuma. Noutros casos, empresas privadas entrarão já para substituir funções outrora atribuídas ao Estado.
Não se trata de uma reforma, mas de um aniquilamento. É desse aniquilamento que é constituída a segunda parte do assalto.
 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sobre os criminosos: Jair Bolsonaro

Odeio uma miúda de 16 anos, e agora?

É digno de registo verificar a quantidade de gente que odeia - o termo é mesmo o mais indicado - uma jovem de 16 anos, de seu nome Greta Thunberg, que tem andado por aí a lutar para que se responda à emergência climática. Se a forma escolhida pela jovem é a mais eficiente, é outra questão, mas mesmo que não o seja, nada justifica a torrente de ódio que por aí grassa. É também caso para se lançar um apelo a quem não só odeia Greta, como não se coíbe de andar pelas redes sociais a destilar esse ódio: façam uma introspecção. Procurem a origem desse ódio: é por se tratar de uma jovem? É por ser uma rapariga? É por ter mais massa cinzenta? É por ter coragem? Coisa que o frustrado de telemóvel na mão é incapaz de compreender, quanto mais e alcançar. Ou é pelo facto de ser uma jovem de uns meros 16 anos a falar a verdade que tanto custa ouvir? Será porque essa verdade, quando aceite, obriga a mudanças radicais? Ou será que a causa é bem mais singela? O ódio a si próprio. Coloquem a questão so…

Não há planeta para a globalização

No seu livro "Down to Earth" Bruno Latour afirma, sem margem para equívocos, que não existe planeta para a globalização, estabelecendo uma relação entre as desigualdades, a desregulação e as questões ambientais num contexto de morte da solidariedade dos mais ricos em relação a todos os outros. De resto, num planeta sem espaço para todos, qual o sentido da solidariedade e num cenário em que não existe um futuro comum qual a razão dessa solidariedade, quando o que interessa é sobreviver?  Latour refere a Cimeira de Paris, em 2015, como ponto de viragem. Nessa cimeira, as várias lideranças políticas ter-se-ão apercebido de que modernidade com quem sempre sonharam não passará de um mero sonho. Não há planeta para a globalização.  O filósofo, antropólogo e sociólogo defende a necessidade de repensarmos conceitos como a modernidade, as fronteiras, o global e o local, referindo igualmente a necessidade de se dar início a novos planos para habitar a terra. Este e outros pontos de parti…