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A entrevista

Confesso que não vi a entrevista do primeiro-ministro na totalidade, não me prestei a esse exercício de sadismo. Ainda assim, vi excertos da entrevista nos vários blocos noticiosos. O suficiente para perceber que se tratou de mais uma oportunidade para o primeiro-ministro mostrar a sua fidelidade canina à ideologia por ora dominante, num misto de intransigência, inanidade e indiferença perante o sofrimento dos seus concidadãos. "Vai custar, nunca disse que ia ser pêra doce", disse Pedro Passos Coelho.
Infelizmente, o primeiro-ministro, que não excluiu a possibilidade de encetar mudanças profundas no Estado Social, designadamente na Educação, afirmando que não é possível não ir aos apoios sociais, vai contando com a inércia do povo que governa.
Este primeiro-ministro é um executante de políticas desejadas há muito tempo por alguns; políticas essas que redundam em alterações profundas no Estado Social, na Administração Pública num sentido genérico, e nos direitos de quem trabalha. O retrocesso daí resultante é apanágio de uma ideologia, acredito que minoritária em Portugal, mas ainda assim uma ideologia perfilhada por quem detém o poder económico e, por ora, o poder político.
As dificuldades orçamentais, as dívidas, a troika, a crise (cuja origem já todos esquecemos) constituem o cenário ideal para aplicação dessas alterações profundas, umas já a caminho da consolidação, outras na calha para serem aplicadas.
Passos Coelho é um executante a prazo. Não será reeleito, mas também não será esse o objectivo.

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