Avançar para o conteúdo principal

Treinadores de bancada

Desde logo as analogias que pretendem colocar de um lado contextos futebolísticos e a o mundo da política não são particularmente do meu agrado, mas não posso deixar de parafrasear uma expressão que é tão comummente utilizada sempre que se fala de política e mais quando se discutem questões económicas.
Assim, não é raro ouvir-se a expressão em epígrafe para caracterizar aquelas mentes aparentemente incautas que opinam sobre assuntos que a todos dizem respeito. Mesmo depois das evidências que postulam a existência de políticas centradas na salvaguarda de interesses que não os nossos, interesses esses que colidem com os interesses da maioria. Em consequência, ainda ouvimos a expressão "treinadores de bancada" quando pretendemos opinar sobre essas matérias.
Tudo se complica quando a política se cruza com a economia. Aqui estas matérias devem ser discutidas apenas pelos especialistas. Pouco interessa saber se esses especialistas - os mesmos a quem é atribuído tanto tempo de antena e a quem são distribuídas tantas páginas de jornais - são os mesmos que impingem receitas comprovadamente falhadas - os arautos da ideologia dominante de Estado Social a mais, de salários demasiado elevados, da tese de se ter vivido acima das possibilidades, do pagamento dos compromissos externos do Estado, falhando esse mesmo Estado no cumprimento dos compromissos internos, os arautos do empobrecimento.
Esses serão os treinadores credenciados que vale a pena ouvir; aos outros credenciados ou nem por isso resta-lhes o silêncio e tentativas exaustivas de atribuição constante de atestados de incompetência e ignorância. Os assuntos comuns são, na óptica de muitos para serem discutidos por especialistas e políticos. Existe uma vasta multiplicidade de razões que explica a situação em que nos encontramos.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Fim do sigilo bancário

Tudo indica que o sigilo bancário vai ter um fim. O Partido Socialista e o Bloco de Esquerda chegaram a um entendimento sobre a matéria em causa - o Bloco de Esquerda faz a proposta e o PS dá a sua aprovação para o levantamento do sigilo bancário. A iniciativa é louvável e coaduna-se com aquilo que o Bloco de Esquerda tem vindo a propor com o objectivo de se agilizar os mecanismos para um combate eficaz ao crime económico e ao crime de evasão fiscal. Este entendimento entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista também serve na perfeição os intentos do partido do Governo. Assim, o PS mostra a sua determinação no combate à corrupção e ao crime económico e, por outro lado, aproxima-se novamente do Bloco de Esquerda. Com efeito, a medida, apesar de ser tardia, é amplamente aplaudida e é vista como um passo certo no combate à corrupção, em particular quando a actualidade é fortemente marcada por suspeições e por casos de corrupção. De igual forma, as perspectivas do PS conseguir uma ma...

Mais uma indecência a somar-se a tantas outras

 O New York Times revelou (parte) o que Donald Trump havia escondido: o seu registo fiscal. E as revelações apenas surpreendem pelas quantias irrisórias de impostos que Trump pagou e os anos, longos anos, em que não pagou um dólar que fosse. Recorde-se que todos os presidentes americanos haviam revelado as suas declarações, apenas Trump tudo fizera para as manter sem segredo. Agora percebe-se porquê. Em 2016, ano da sua eleição, o ainda Presidente americano pagou 750 dólares em impostos, depois de declarar um manancial de prejuízos, estratégia adoptada nos tais dez anos, em quinze, em que nem sequer pagou impostos.  Ora, o homem que sempre se vangloriou do seu sucesso como empresário das duas, uma: ou não teve qualquer espécie de sucesso, apesar do estilo de vida luxuoso; ou simplesmente esta foi mais uma mentira indecente, ou um conjunto de mentiras indecentes. Seja como for, cai mais uma mancha na presidência de Donald Trump que, mesmo somando indecências atrás de indecência...