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Seis dias

A famigerada troika sugere que a semana de trabalho na Grécia passe dos actuais cinco dias para seis dias por semana. Esta é uma das várias propostas da
troika com o objectivo de flexibilizar ainda mais o mercado de trabalho grego. Segundo estas sumidades que compõem a troika e que se afundam em teorias económicas neoclássicas, a solução para os problemas gregos (portugueses, espanhóis e afins) passa por trabalhar mais por menos.
Os senhores da troika esquecem amiúde - ou fingem esquecer - a dimensão social dos problemas, sobretudo dos problemas económicos. Sendo certo que o seu objectivo não se coaduna inteiramente com o bem-estar daquele povo em particular, mas prende-se antes com a garantia de pagamento de juros obscenos, com a flexibilização das leis laborais, com a abertura do mercado do país e com a subsequente venda do país, pedaço por pedaço, a verdade é que quando se ignora essa mesma dimensão social as consequências são desastrosas e não forçosamente para o país que se vê sob o jugo das ditas políticas impingidas pela troika, pela Alemanha, seja por quem for.
Seis dias de trabalho por semana corresponde a um retrocesso sem precedentes. Espera-se que a proposta seja veementemente combatida pela sociedade grega.

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