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Mais tempo, mais austeridade

Por um lado, o assunto da austeridade e das pretensas contas do país provocam uma espécie de náusea generalizada, por outro, é pouco sensato escolhermos ficar de fora desses mesmos assuntos. Afinal de contas é também pela razão de nos termos demitido de uma cidadania mais activa que o problema atingiu as dimensões que conhecemos ou julgamos conhecer.
O inefável ministro das Finanças anunciou a boa nova: o país portou-se bem e por essa razão conseguimos uma flexibilização das metas acordadas com a troika. Paradoxalmente, ainda são necessárias doses cavalares de austeridade, isto apesar da economia do país se encontrar às portas da morte.
Assim, ontem foram conhecidas mais medidas de austeridade, que incidem sobre trabalhadores independentes, pensionistas e os restantes trabalhadores (mexidas nos escalões de IRS).
Por outro lado, Miguel Relvas (sim, ele ainda anda por aí) enfatiza o carácter pacífico dos Portugueses, distanciando-se da Grécia. Por cá está tudo bem, o povo é sereno, mesmo quando gozam na sua cara. Assim vai o país, preso a um misto de inércia e de negação envolto num manto de surrealismo.

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