Avançar para o conteúdo principal

Contestação

As medidas anunciadas pelo Governo que incidem sobretudo sobre os rendimentos do trabalho estão a sofrer forte contestação. De facto, é difícil encontrar quem venha a público defender essas medidas. Uns contestam mais a forma - insidiosa - como as medidas foram anunciadas; outros focam as suas críticas nas medidas em concreto. Seja como for, a contestação é a maior que este Governo viveu até ao momento.
A comunicação social, amiúde vergada aos mesmos interesses que o Governo escandalosamente defende, vira-se em bloco contra o Executivo de Passos Coelho. A multiplicidade de comentadores que criticam as medidas e o próprio primeiro-ministro e os jornalistas, no tratamento das peças noticiosas, não escondem o seu descontentamento. Até dentro dos partidos que formam a coligação ouvem-se vozes de desagrado.
De resto, a contestação poderá chegar em força às ruas, primeiro no dia 15 de Setembro, numa manifestação que já não se ficará apenas pela cidade de Lisboa e, posteriormente, no dia 1 de Outubro com a contestação da CGTP.
As medidas anunciadas não agradaram a ninguém: nem a trabalhadores, nem ao patronato, nem aos comentadores de costume, nem a membros dos partidos da coligação.
O Governo assim enfrenta um primeiro grande teste, confrontado com os seus falhanços, designadamente no que diz respeito ao cumprimento das metas exigidas, e sujeito a uma torrente de críticas nunca antes vista.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sobre os criminosos: Jair Bolsonaro

Odeio uma miúda de 16 anos, e agora?

É digno de registo verificar a quantidade de gente que odeia - o termo é mesmo o mais indicado - uma jovem de 16 anos, de seu nome Greta Thunberg, que tem andado por aí a lutar para que se responda à emergência climática. Se a forma escolhida pela jovem é a mais eficiente, é outra questão, mas mesmo que não o seja, nada justifica a torrente de ódio que por aí grassa. É também caso para se lançar um apelo a quem não só odeia Greta, como não se coíbe de andar pelas redes sociais a destilar esse ódio: façam uma introspecção. Procurem a origem desse ódio: é por se tratar de uma jovem? É por ser uma rapariga? É por ter mais massa cinzenta? É por ter coragem? Coisa que o frustrado de telemóvel na mão é incapaz de compreender, quanto mais e alcançar. Ou é pelo facto de ser uma jovem de uns meros 16 anos a falar a verdade que tanto custa ouvir? Será porque essa verdade, quando aceite, obriga a mudanças radicais? Ou será que a causa é bem mais singela? O ódio a si próprio. Coloquem a questão so…

Não há planeta para a globalização

No seu livro "Down to Earth" Bruno Latour afirma, sem margem para equívocos, que não existe planeta para a globalização, estabelecendo uma relação entre as desigualdades, a desregulação e as questões ambientais num contexto de morte da solidariedade dos mais ricos em relação a todos os outros. De resto, num planeta sem espaço para todos, qual o sentido da solidariedade e num cenário em que não existe um futuro comum qual a razão dessa solidariedade, quando o que interessa é sobreviver?  Latour refere a Cimeira de Paris, em 2015, como ponto de viragem. Nessa cimeira, as várias lideranças políticas ter-se-ão apercebido de que modernidade com quem sempre sonharam não passará de um mero sonho. Não há planeta para a globalização.  O filósofo, antropólogo e sociólogo defende a necessidade de repensarmos conceitos como a modernidade, as fronteiras, o global e o local, referindo igualmente a necessidade de se dar início a novos planos para habitar a terra. Este e outros pontos de parti…