Avançar para o conteúdo principal

Banco Central Europeu

Nunca se falou tanto do Banco Central Europeu (BCE) como nos últimos anos, pelas piores razões. Ainda ontem o Presidente da República Portuguesa fez as suas recomendações, designadamente sobre a necessidade do BCE comprar dívida pública portuguesa e irlandesa. O curioso é que o Banco Central Europeu é também o problema central da Europa - a sua arquitectura é uma das principais responsáveis pelo descalabro a que se assiste na Europa e, se nada for feito em sentido diametralmente oposto ao que tem sido feito, e será também co-responsável pela destruição do projecto europeu.
Os países da Zona Euro encontram-se particularmente vulneráveis à especulação. O BCE agarrado ao neoclassicismo económico alemão intervém o mínimo possível e quando intervém acautela com especial veemência os interesses dos mercados, não raras vezes em detrimento dos interesses dos países da Zona Euro.
Se o BCE e, sobretudo as instituições europeias, insistirem em manter a arquitectura do BCE, deixando os países entregues à voracidade dos mercados, sucumbindo ao medo da inflação, o rumo europeu está traçado e está longe de se coadunar com o projecto europeu.
Cavaco Silva urge o BCE a emprestar dinheiro a Portugal e à Irlanda, depois do Presidente do BCE, Mário Draghi afirmar que o BCE vai intervir no mercado de dívida pública. Este será um princípio interessante, mas não chega, enquanto não assistirmos a mudanças de fundo no BCE - longe da ortodoxia alemã, o que de facto parece pouco provável de vir a acontecer.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sobre os criminosos: Jair Bolsonaro

Odeio uma miúda de 16 anos, e agora?

É digno de registo verificar a quantidade de gente que odeia - o termo é mesmo o mais indicado - uma jovem de 16 anos, de seu nome Greta Thunberg, que tem andado por aí a lutar para que se responda à emergência climática. Se a forma escolhida pela jovem é a mais eficiente, é outra questão, mas mesmo que não o seja, nada justifica a torrente de ódio que por aí grassa. É também caso para se lançar um apelo a quem não só odeia Greta, como não se coíbe de andar pelas redes sociais a destilar esse ódio: façam uma introspecção. Procurem a origem desse ódio: é por se tratar de uma jovem? É por ser uma rapariga? É por ter mais massa cinzenta? É por ter coragem? Coisa que o frustrado de telemóvel na mão é incapaz de compreender, quanto mais e alcançar. Ou é pelo facto de ser uma jovem de uns meros 16 anos a falar a verdade que tanto custa ouvir? Será porque essa verdade, quando aceite, obriga a mudanças radicais? Ou será que a causa é bem mais singela? O ódio a si próprio. Coloquem a questão so…

Não há planeta para a globalização

No seu livro "Down to Earth" Bruno Latour afirma, sem margem para equívocos, que não existe planeta para a globalização, estabelecendo uma relação entre as desigualdades, a desregulação e as questões ambientais num contexto de morte da solidariedade dos mais ricos em relação a todos os outros. De resto, num planeta sem espaço para todos, qual o sentido da solidariedade e num cenário em que não existe um futuro comum qual a razão dessa solidariedade, quando o que interessa é sobreviver?  Latour refere a Cimeira de Paris, em 2015, como ponto de viragem. Nessa cimeira, as várias lideranças políticas ter-se-ão apercebido de que modernidade com quem sempre sonharam não passará de um mero sonho. Não há planeta para a globalização.  O filósofo, antropólogo e sociólogo defende a necessidade de repensarmos conceitos como a modernidade, as fronteiras, o global e o local, referindo igualmente a necessidade de se dar início a novos planos para habitar a terra. Este e outros pontos de parti…