Avançar para o conteúdo principal

Mais um ano

Espanha conseguiu mais um ano para corrigir o seu défice. Em Portugal, o Governo sempre recusou a possibilidade de conseguir um alargamento do prazo, embora agora se oiçam vozes no PSD a referir essa possibilidade. O Governo português insiste na tese da continuação dos sacrifícios, imune à realidade que se consubstancia na morte lenta do país.
Em bom rigor, o alargamento do prazo por mais um ano para cumprir a meta estabelecida não resolve coisa alguma. A receita dá sinais de produzir resultados positivos na Irlanda, mas o contexto económico e o problema que levou ao pedido de resgate são particularmente diferentes de outros casos, como é o caso português.
Paralelamente, as premissas erradas permanecem. A estrutura da moeda única é frágil e deixa os Estados reféns da especulação. Enquanto essa situação se mantiver inalterada, a Europa vê o seu futuro comprometido.
Por outro lado ainda, a crise, embora penosa para a maior parte de nós, serve na perfeição os intentos de alguns. Há quem retire benefícios assinaláveis da famigerada crise, ou porque lucra directamente com a especulação, ou porque indirectamente beneficia de mão de obra mais barata - a oferta de emprego é escassa perante os exércitos de desempregados e a flexibilização das leis laborais faz o resto do trabalho, de privatizações e de oportunidades de negócio em áreas para as quais o Estado alega não ter dinheiro como é o caso da saúde.
Mais um ano não resolve os problemas de um Europa entregue à especulação, mas poderia eventualmente reduzir as doses cavalares de austeridade que estão a matar o país. Nós conseguimos a proeza de eleger um Governo exímio na aplicação dessas doses cavalares, e para isso não é precisa nenhuma licenciatura.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sobre os criminosos: Jair Bolsonaro

Odeio uma miúda de 16 anos, e agora?

É digno de registo verificar a quantidade de gente que odeia - o termo é mesmo o mais indicado - uma jovem de 16 anos, de seu nome Greta Thunberg, que tem andado por aí a lutar para que se responda à emergência climática. Se a forma escolhida pela jovem é a mais eficiente, é outra questão, mas mesmo que não o seja, nada justifica a torrente de ódio que por aí grassa. É também caso para se lançar um apelo a quem não só odeia Greta, como não se coíbe de andar pelas redes sociais a destilar esse ódio: façam uma introspecção. Procurem a origem desse ódio: é por se tratar de uma jovem? É por ser uma rapariga? É por ter mais massa cinzenta? É por ter coragem? Coisa que o frustrado de telemóvel na mão é incapaz de compreender, quanto mais e alcançar. Ou é pelo facto de ser uma jovem de uns meros 16 anos a falar a verdade que tanto custa ouvir? Será porque essa verdade, quando aceite, obriga a mudanças radicais? Ou será que a causa é bem mais singela? O ódio a si próprio. Coloquem a questão so…

Não há planeta para a globalização

No seu livro "Down to Earth" Bruno Latour afirma, sem margem para equívocos, que não existe planeta para a globalização, estabelecendo uma relação entre as desigualdades, a desregulação e as questões ambientais num contexto de morte da solidariedade dos mais ricos em relação a todos os outros. De resto, num planeta sem espaço para todos, qual o sentido da solidariedade e num cenário em que não existe um futuro comum qual a razão dessa solidariedade, quando o que interessa é sobreviver?  Latour refere a Cimeira de Paris, em 2015, como ponto de viragem. Nessa cimeira, as várias lideranças políticas ter-se-ão apercebido de que modernidade com quem sempre sonharam não passará de um mero sonho. Não há planeta para a globalização.  O filósofo, antropólogo e sociólogo defende a necessidade de repensarmos conceitos como a modernidade, as fronteiras, o global e o local, referindo igualmente a necessidade de se dar início a novos planos para habitar a terra. Este e outros pontos de parti…