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Mais um ano

Espanha conseguiu mais um ano para corrigir o seu défice. Em Portugal, o Governo sempre recusou a possibilidade de conseguir um alargamento do prazo, embora agora se oiçam vozes no PSD a referir essa possibilidade. O Governo português insiste na tese da continuação dos sacrifícios, imune à realidade que se consubstancia na morte lenta do país.
Em bom rigor, o alargamento do prazo por mais um ano para cumprir a meta estabelecida não resolve coisa alguma. A receita dá sinais de produzir resultados positivos na Irlanda, mas o contexto económico e o problema que levou ao pedido de resgate são particularmente diferentes de outros casos, como é o caso português.
Paralelamente, as premissas erradas permanecem. A estrutura da moeda única é frágil e deixa os Estados reféns da especulação. Enquanto essa situação se mantiver inalterada, a Europa vê o seu futuro comprometido.
Por outro lado ainda, a crise, embora penosa para a maior parte de nós, serve na perfeição os intentos de alguns. Há quem retire benefícios assinaláveis da famigerada crise, ou porque lucra directamente com a especulação, ou porque indirectamente beneficia de mão de obra mais barata - a oferta de emprego é escassa perante os exércitos de desempregados e a flexibilização das leis laborais faz o resto do trabalho, de privatizações e de oportunidades de negócio em áreas para as quais o Estado alega não ter dinheiro como é o caso da saúde.
Mais um ano não resolve os problemas de um Europa entregue à especulação, mas poderia eventualmente reduzir as doses cavalares de austeridade que estão a matar o país. Nós conseguimos a proeza de eleger um Governo exímio na aplicação dessas doses cavalares, e para isso não é precisa nenhuma licenciatura.

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