segunda-feira, 30 de julho de 2012

Emigração

Sempre na ordem do dia e não apenas para o primeiro-ministro que com tanta veemência aconselhou os mais jovens a emigrar, mas sobretudo por se tratar cada vez mais de uma necessidade, tendo em consideração a exiguidade do mercado de trabalho português e a grave crise que assola Portugal e a Europa. Sobejam as reportagens sobre emigrantes, geralmente bem-sucedidos, abordando o tema com a naturalidade que estas coisas exigem envolta em laivos de modernismo das novas gerações de emigrantes - qualificadas - em oposição às anteriores gerações.
A emigração está mais na ordem do dia também pela razão óbvia de estarmos a entrar no mês tradicionalmente de férias dos emigrantes que, por essa razão, têm possibilidade de regressar a Portugal para umas férias há muito aguardadas. Mas a emigração torna-se uma evidência ainda maior quando se verifica que são muitos os cidadãos que abandonam Portugal, precisamente em busca de um país que lhes ofereça melhores condições de vida. Assistimos a uma nova vaga de emigrantes, com efeito mais qualificados, que deixam um país afundado num paroxismo sem precedente. Não sobram tanto as reportagens que abordam o sofrimento tantas vezes inerente ao facto de se deixar o país de origem e o impacto que essa mesma emigração terá para Portugal.
Na memória ficará para sempre o incentivo do primeiro-ministro e de outros responsáveis governativos precisamente para que os Portugueses procurem outras paragens.

4 comentários:

HP disse...

Quero ver o que vai dizer o senhor primeiro ministro quando vir o país a ficar quase sem jovens qualificados. Se há uns meses eu diria que não emigraria, com o passar do tempo e com o (des)evoluir do país, já não digo que não e dou por mim muitas vezes a pensar em como será o meu futuro aqui e se não deveria ir também...

HP disse...

Quero ver o que vai dizer o senhor primeiro ministro quando vir o país a ficar quase sem jovens qualificados. Se há uns meses eu diria que não emigraria, com o passar do tempo e com o (des)evoluir do país, já não digo que não e dou por mim muitas vezes a pensar em como será o meu futuro aqui e se não deveria ir também...

HP disse...

Quero ver o que vai dizer o senhor primeiro ministro quando vir o país a ficar quase sem jovens qualificados. Se há uns meses eu diria que não emigraria, com o passar do tempo e com o (des)evoluir do país, já não digo que não e dou por mim muitas vezes a pensar em como será o meu futuro aqui e se não deveria ir também...

Ana Alexandra Gonçalves disse...

Não me parece que o primeiro-ministro se sinta particularmente preocupado com o facto de o país estar a perder os mais qualificados. Ele tem objectivos para cumprir: vender o país, pedaço, por pedaço; destruir o Estado Social, abrindo novas oportunidades de negócio para a casta que tem o país nas mãos, ao mesmo tempo que flexibiliza os direitos laborais, embaratecendo o trabalho, mais uma vez beneficiando a tal casta. A crise é uma excelente oportunidade para se levar a cabo um projecto há muito almejado.
Deste modo, tanto faz o futuro do país - o essencial é cumprir esses objectivos e, sejamos honestos, ele está a conseguir cumpri-los. A propósito, qual futuro? Este é um governo sem estratégia para além daquela acima explanada.
Não tenhas dúvidas: vamos ser continuamente empurrados para fora do país, o que reforça a necessidade também de tentarmos lutar contra o peso da inevitabilidade. Sem reacção, tudo vai ser muito pior. Isso sim, é inevitável.