quarta-feira, 6 de junho de 2012

As virtudes da paciência

As virtudes da paciência servem na perfeição dirigentes políticos que apostam na tese da inevitabilidade. Não sei se será tanto o caso de Pedro Passos Coelho que se lembrou de demonstrar compreensão pelos problemas dos cidadãos e elogiar a sua paciência. Porventura, Passos Coelho estará a confundir paciência com submissão e ausência de esperança mais própria da resignação do que da paciência de quem ainda espera dias auspiciosos.
Sendo ainda verdade que paciência também é sinónimo de resignação e sofrimento. E nestas acepções Pedro Passos Coelho é certeiro.
De resto, temos adoptado mais a postura da inércia - em relação a este Executivo como em relação a outros, nestas matérias como noutras - do que propriamente da paciência.
Todavia, essa inércia ou paciência como lhe chama o primeiro-ministro poderá não ser tão duradoura como se possa eventualmente esperar. Ninguém sabe até que ponto um povo aguenta sacrifícios, miséria, retrocesso social e aniquilação da esperança. Enquanto se insiste em discutir qual o ponto a partir do qual não se pode aumentar mais impostos, ou até onde se pode cortar na Saúde e Educação, ou ainda se se deve cortar ainda mais os magros salários, eu, no lugar do primeiro-ministro, preferia questionar-me até quando os Portugueses vão manter-se pacientes.

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