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Entrega da casa

Na auge da voracidade, banca, empresas construtoras atiraram-se aos cidadãos/clientes mais incautos como cães esfaimados. O crédito jorrava, as avaliações era megalómanas, construía-se como se não houvesse amanhã. Tudo isto foi permitido porque a classe política nas últimas décadas decidiu ser conivente com uma situação que mais dia menos dia atingiria um ponto de insustentabilidade.
Pelo caminho o mercado de arrendamento - sempre pouco dinâmico - nunca foi olhado com a atenção que merecia por quem toma as decisões políticas. O resultado está à vista: um mercado que se divide em rendas ridiculamente baixas e rendas escandalosamente altas, isto num contexto de acentuada degradação que destrói a beleza das cidades portuguesas.
Agora coloca-se a possibilidade de as famílias poderem entregar as casas aos bancos. Os níveis de incumprimento batem recordes todos os dias, deixando visível que está na hora de pagar a tal voracidade acima referida. Os bancos - principais responsáveis - não mostram disponibilidade para pagar essa factura.
É evidente que os bancos não estão dispostos a aceitar perdas e têm até ao momento evitado entrar em negociações significativas com quem está em situação de incumprimento. Ora, os mesmos bancos também não pretendem ficar com casas sobre-avaliadas, vão por essa mesma razão levantar todos os problemas possíveis e imagináveis à mera possibilidade da entrega da casa em dação de pagamento da dívida.
O mercado de arrendamento ainda está longe de oferecer resposta a quem não pode comprar uma casa. Não ofereceu no passado, continua a não oferecer hoje.
Assim, o país vê-se a braços com um problema que aumentará de dimensão a cada dia que passa. Os inúmeros políticos responsáveis por este estado de coisas, continuam a agir como se nada disto fosse com eles. Nenhum deles estará, certamente, prestes a perder a sua casa.

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