Avançar para o conteúdo principal

Dois pesos, duas medidas

Quando José Sócrates era primeiro-ministro foi incessantemente acusado de ter - para utilizar um eufemismo - uma relação difícil com a comunicação social. Foram inúmeras as críticas ao então primeiro-ministro. Todos certamente ainda nos lembramos do clima "de asfixia democrática" de que ele era acusado de ter criado em Portugal.
Miguel Relvas não parece merecer a mesma atenção e o mesmo tratamento. Depois das acusações de ter pressionado uma jornalista, incluindo ameaças de revelações de detalhes da sua vida privada, não assistimos às mesmas reacções. Talvez o melhor que se consiga seja um "não comento" ou "é prudente aguardar as conclusões da entidade reguladora".
Este blogue sempre foi muito crítico dos anos Sócrates, inclusivamente no que dizia respeito à sua relação com a comunicação social.
Todavia, fugindo à premissa dos dois pesos e duas medidas, importa relembrar que o caso de Miguel Relvas é grave e são esperadas consequências, não se devendo sequer excluir a saída do ainda ministro do Executivo de Passos Coelho. Essa sim, seria uma boa notícia em tempos que as mesmas são tão raras.

Comentários

Anónimo disse…
Exactamente!

Mensagens populares deste blogue

Sobre os criminosos: Jair Bolsonaro

Odeio uma miúda de 16 anos, e agora?

É digno de registo verificar a quantidade de gente que odeia - o termo é mesmo o mais indicado - uma jovem de 16 anos, de seu nome Greta Thunberg, que tem andado por aí a lutar para que se responda à emergência climática. Se a forma escolhida pela jovem é a mais eficiente, é outra questão, mas mesmo que não o seja, nada justifica a torrente de ódio que por aí grassa. É também caso para se lançar um apelo a quem não só odeia Greta, como não se coíbe de andar pelas redes sociais a destilar esse ódio: façam uma introspecção. Procurem a origem desse ódio: é por se tratar de uma jovem? É por ser uma rapariga? É por ter mais massa cinzenta? É por ter coragem? Coisa que o frustrado de telemóvel na mão é incapaz de compreender, quanto mais e alcançar. Ou é pelo facto de ser uma jovem de uns meros 16 anos a falar a verdade que tanto custa ouvir? Será porque essa verdade, quando aceite, obriga a mudanças radicais? Ou será que a causa é bem mais singela? O ódio a si próprio. Coloquem a questão so…

Não há planeta para a globalização

No seu livro "Down to Earth" Bruno Latour afirma, sem margem para equívocos, que não existe planeta para a globalização, estabelecendo uma relação entre as desigualdades, a desregulação e as questões ambientais num contexto de morte da solidariedade dos mais ricos em relação a todos os outros. De resto, num planeta sem espaço para todos, qual o sentido da solidariedade e num cenário em que não existe um futuro comum qual a razão dessa solidariedade, quando o que interessa é sobreviver?  Latour refere a Cimeira de Paris, em 2015, como ponto de viragem. Nessa cimeira, as várias lideranças políticas ter-se-ão apercebido de que modernidade com quem sempre sonharam não passará de um mero sonho. Não há planeta para a globalização.  O filósofo, antropólogo e sociólogo defende a necessidade de repensarmos conceitos como a modernidade, as fronteiras, o global e o local, referindo igualmente a necessidade de se dar início a novos planos para habitar a terra. Este e outros pontos de parti…