Avançar para o conteúdo principal

Dia do trabalhador

O 1º. de Maio de 2012 ficou marcado em Portugal pelo triste episódio da cadeia de supermercados Pingo Doce. A falta de princípios da empresa que paga impostos fora de Portugal e a existência de um país onde tudo parece ser permitido a quem detém o poder ficaram demonstradas ontem.
Quanto ao grupo em questão, não há muito a dizer. A inexistência de escrúpulos e de valores abunda por aquelas partes. Todavia, ontem foram longe de mais. Deliberadamente gozaram com os trabalhadores e com os mais necessitados que na ânsia de conseguir os descontos prometidos rapidamente adoptaram comportamentos selvagens. Tudo foi permitido ontem, num país claramente à deriva, entregue à miséria e ainda parte convencido que a solução será trazida por quem está no poder (político e económico que tantas vezes se confundem).
Ontem, dia do trabalhador, assistiu-se a uma vergonha mais interessante para a comunicação social do que qualquer outra coisa. Felizmente aqueles que saíram à rua precisamente para lembrar o dia em questão mostraram ser a antítese de um país apático entregue à sua miséria.
Quanto ao Pingo Doce, a vergonha de ontem deve ser reiteradamente lembrada.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sobre os criminosos: Jair Bolsonaro

Odeio uma miúda de 16 anos, e agora?

É digno de registo verificar a quantidade de gente que odeia - o termo é mesmo o mais indicado - uma jovem de 16 anos, de seu nome Greta Thunberg, que tem andado por aí a lutar para que se responda à emergência climática. Se a forma escolhida pela jovem é a mais eficiente, é outra questão, mas mesmo que não o seja, nada justifica a torrente de ódio que por aí grassa. É também caso para se lançar um apelo a quem não só odeia Greta, como não se coíbe de andar pelas redes sociais a destilar esse ódio: façam uma introspecção. Procurem a origem desse ódio: é por se tratar de uma jovem? É por ser uma rapariga? É por ter mais massa cinzenta? É por ter coragem? Coisa que o frustrado de telemóvel na mão é incapaz de compreender, quanto mais e alcançar. Ou é pelo facto de ser uma jovem de uns meros 16 anos a falar a verdade que tanto custa ouvir? Será porque essa verdade, quando aceite, obriga a mudanças radicais? Ou será que a causa é bem mais singela? O ódio a si próprio. Coloquem a questão so…

Não há planeta para a globalização

No seu livro "Down to Earth" Bruno Latour afirma, sem margem para equívocos, que não existe planeta para a globalização, estabelecendo uma relação entre as desigualdades, a desregulação e as questões ambientais num contexto de morte da solidariedade dos mais ricos em relação a todos os outros. De resto, num planeta sem espaço para todos, qual o sentido da solidariedade e num cenário em que não existe um futuro comum qual a razão dessa solidariedade, quando o que interessa é sobreviver?  Latour refere a Cimeira de Paris, em 2015, como ponto de viragem. Nessa cimeira, as várias lideranças políticas ter-se-ão apercebido de que modernidade com quem sempre sonharam não passará de um mero sonho. Não há planeta para a globalização.  O filósofo, antropólogo e sociólogo defende a necessidade de repensarmos conceitos como a modernidade, as fronteiras, o global e o local, referindo igualmente a necessidade de se dar início a novos planos para habitar a terra. Este e outros pontos de parti…