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Ainda o 1º de Maio

O presidente do grupo Jerónimo Martins, Alexandre Soares dos Santos, em entrevista a um canal de televisão rejeitou a prática de dumping e assegurou que este tipo de promoções (de cinquenta por cento) não se voltarão a repetir. Até aqui, não há muitos comentários a fazer, o presidente do grupo tem naturalmente direito a fazer a sua defesa. Resta, porém, saber se não houve lugar à prática de dumping. Compete à entidade reguladora e fiscalizadora investigar e chegar às suas conclusões.
Todavia, Alexandre Soares dos Santos, afirmou não ver qual o problema da mesma campanha se ter realizado no primeiro de Maio, insurgindo-se mesmo contra aqueles que se inquietaram com o facto. Acrescentou também que a campanha do Pingo Doce retirou visibilidade ao dia. Ora, não é seguramente uma campanha de um supermercado medíocre que retira visibilidade ao primeiro de Maio, o que eventualmente terá dado visibilidade ao Pingo Doce terá sido a selvajaria que se instalou nos seus supermercados, numa clara tentativa de aproveitamento da miséria e do desnorte que por este país grassa.
Não causa qualquer admiração que o presidente do grupo em questão não dê qualquer importância ao dia escolhido para a realização da duvidosa promoção. Este é um senhor que dá mais importância a outras questões - recomendo o visionamento do documentário "Os donos de Portugal" para se perceber o funcionamento deste e de outros senhores e das suas famílias.
Apesar de ter perdido um tempo considerável a escrever, novamente, sobre a campanha do Pingo Doce, senhores como este não são o que mais me inquieta. O que mais me inquieta é a passividade reinante. Não é apenas o Sr. Soares dos Santos a dar pouca importância ao primeiro de Maio. Outros, muitos deles trabalhadores, esquecem o significado do dia - os mesmos que ainda beneficiam do resultado de lutas para que os direitos que hoje nos tiram viessem a ser uma realidade. É, no mínimo, irónico.

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