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Retrocesso social

Depois do Governo anunciar a redução de várias prestações sociais, é agora a vez de Bruxelas admitir o fim dos subsídios de Natal e de férias. Dito por outras palavras, Bruxelas admite que a suspensão da atribuição desses subsídios passe a ter carácter permanente.
É notória a forte convergência entre o Governo português e Bruxelas. No cômputo geral, tanto o Governo português, como os principais responsáveis políticos estão de acordo em enfraquecer o Estado Social e pôr em causa os direitos que com tantas dificuldades foram conquistados, em nome de um modelo económico que não belisca quem muito tem para obliterar os direitos de quem já tem tão pouco.
A cegueira colectiva, que nos afecta muito em particular, invalida qualquer pensamento que se afaste da ortodoxia dominante e qualquer forma de acção que permita, pelo menos, algum reequilíbrio social.
É esta cegueira colectiva associada a mínimos de bem estar social, de que alguns ainda se podem orgulhar de ter, que contribui para o maior retrocesso social das últimas décadas e que seguramente contribuirá para um futuro cada vez mais sombrio.

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