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Desequilíbrios

O Senado americano chumbou o aumento de impostos aos mais ricos, proposta de Barack Obama. A chamada "Lei Buffett" fica assim apenas no plano das intenções, ficando tudo na mesma, ou seja mantendo-se os desequilíbrios cada vez mais gritantes.
O problema não é exclusivamente americano e é produto da globalização demasiado assente na preponderância financeira e no consequente enfraquecimento das classes políticas e das democracias e da inércia dos cidadãos que continuam a dar os seus votos de confiança a quem está longe de defender os seus interesses.
Por cá a situação não é de todo substancialmente diferente. Quem governa, num contexto em que muitos se abstêm de escolher, trilha os mesmos caminhos, procurando salvaguardar os interesses instalados, escondendo-se atrás de uma crise sempre apelidada de pesada herança, quando nem mesmo isso corresponde à verdade.
Os desequilíbrios lá, como cá, são essencialmente o resultado da persistência do erro. Os cidadãos, pese embora a torrente de evidências, insistem em fazer as mesmas escolhas, as tais que nos trouxeram até este lugar à beira do abismo.

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